janeiro 20, 2005

CADERNOS DE VIAGEM - PARIS (VIII)




Quem foram estas mulheres e homens? De que mistérios se fez a sua vida? Que forte desejo de sobrevivência os impeliu a encomendar à pedra o registo dos seus traços? Que amores viveram, que ódios geraram na banalidade do seu quotidiano esquecido?

janeiro 19, 2005

CADERNOS DE VIAGEM - PARIS (VII)

A transição entre o mundo gótico e o renascentista na pintura foi feita também do progressivo abandono do carácter (e intenção) simbólico (porque didática) da representação em detrimento de uma maior atenção para a recriação dos espaços, das pessoas, dos ambientes.




Esta obra de transição que encontrei no Louvre contém esse momento de passagem. As personagens ainda emergem de um espaço abstracto, não concretizado (o espaço não é importante; é a acção - o castigo - que importa), mas já não são arquétipos, são gente de carne e osso, palpável, identificável.

Não perdeu ainda, no entanto, essa inocência medieval quase infantil, que permitia o uso da maior crueza, no meio da graça celeste de azuis cerúleos e dourados gloriosos. Repare-se na cabeça do primeiro frade executado que rola perdida aos pés de Cristo, no detalhe da ferida aberta no pescoço do sentenciado




e no aparente prazer com que o artista vincou o martírio dos santos: a sentença é executada em dois movimentos, como se o primeiro golpe servisse apenas para preparar a cena para o momento fixado no quadro.

COM UM INVERNO DESTES...


... é fácil sentirmo-nos tropicais

janeiro 17, 2005

CADERNOS DE VIAGEM - PARIS (VI)

Traiteur
Se tem por hábito a França cultural premiar com a Legião de Honra todos aqueles que, nacionais ou estrangeiros, atinjam um ponto de excelência que lhes permita o reconhecimento público qualquer que seja o meio onde actuem, então, para mim, a grã-cruz dessa legião imensa deveria há muito estar atribuída a essa reverenda classe tão impossível de encontrar fora das suas fronteiras que dá pelo substantivo/adjectivo nome de "traiteur".



O que são os traiteurs? Artistas. Escultores da matéria mais diversa e mais primariamente chegada ao Homem que a natureza criou - o alimento. Devotos tratadores dos nossos mais preciosos sentidos: a vista, o olfacto, o gosto.

Passar por uma montra de um traiteur é ter acesso a uma nova sala do mais indispensável museu; é ganhar, por momentos, o acesso ao âmago da existência; é, no limite, poder descobrir, como mortal, os secretos sabores da olímpica ambrósia que os longínquos séculos mortos guardaram somente na memória colectiva.

Das mais anónimas às mais famosas, todas as montras brilham na competência dos seus autores. A Fauchon será, talvez, a mais mediática. Tão mediática que resolveu radicalizar-se e mudar toda a essência do seu interior. De um revivalista ar fin-de-siecle (XIX) minimalizou-se, tornou-se zen.

Das lascivas peças expostas no passado resta a gulosa memória. Com tanta normalização europeia, o contágio parece ter chegado - é bom ser-se clean, menos colesteroico, mais saudável. Obviamente, os olhos continuam a comer, mantêm-se as cores, os sabores sugeridos, a riqueza dos elementos. Mas algo quebrou. A Fauchon da minha memória passou apenas a perdurar na minha memória. Esta, a que no presente se exibe, poderia ter surgido na 5ª Avenida ou no centro de Tóquio (sim, não faço a mínima ideia como se chama a avenida mais fashionable de Tóquio) - a origem é secundária, o efeito não tem pátria.
É mais uma vítima da globalização.

CADERNOS DE VIAGEM - PARIS (V)

Um dos momentos que mais me fascina na história da Arte é aquele em que o fascínio pela recriação do real ensaia os primeiros passos, onde a matéria é plena de possibilidades e ainda vazia de respostas definitivas (e este definitivo é totalmente relativo), onde a técnica é um mundo ainda não descoberto.
O Louvre tem, na sua secção grega, dos mais viciantes resultados dessa busca inicial, desse começo de viagem. Já neste planeta falei da impressão que uma deslumbrante Coré me causou e dos seus paralelismos com um trabalho de Stella mas, desta vez, o encanto centrou-se em duas pequenas peças onde apenas um vislumbre do homem se nota:






Tão pouco e, no entanto, tão tudo.

LISBOA TEJO E TUDO

Bliss.

LISBOA, SABES... EU SEI


Detesto dominicais procissões, gente em magotes, gostos partilhados em demasia, mas esta pré-Primavera é uma lavagem de alma tão grande que me possibilita a paz suficiente para ficar de bem com o mundo.

janeiro 14, 2005

CADERNOS DE VIAGEM - PARIS (IV)

Talvez a tragédia maior do modernismo seja a do completo desfazamento entre a grandiosidade dos objectivos a que se propunha e os pífios resultados a que chegou. Por via da razão, procurou-se atingir a democratização da habitação: a optimização dos espaços, a eliminação do, aparentemente, supérfluo, a introdução da modulação conduziriam, não só ao aperfeiçoamento das "unidades da habitação" (e consequente criação do homem novo) como à redução de custos que tornaria acessível a toda a população uma habitação condigna.
Nobre propósitos, vãs tentativas.
Cavalo de Troia de um novo patamar para os promotores imobiliários de subúrbio, o modernismo agoniza no presente nos milhares e milhares de edifícios que constroiem o sky-line cinzento e monótono de todas as zonas habitacionais das cidades europeias.
Admito que a linguagem rebuscada e plena de redundâncias a que a arquitectura "romântica" tinha chegado necessitasse de uma revolução. Não ponho em causa a benignidade das intenções modernistas, a sua coerência, a qualidade dos projectos iniciais.
Limito-me a olhar as consequências.

A avenida Daumesnil é uma lombriga enorme, afastada da tradição da rive gauche, da opulência Hausmanniana e da fulgurância fugaz de La Defense. Limita-se a ser uma longa artéria construída ao longo dos anos, absorvendo os estilos da época, as alternâncias, os modelos. Nada de muito grandioso, nada de muito espectacular, nada de muito memorável. Não me foi, no entanto, indiferente este contraste entre o velho e o muito velho, entre o que ainda é da minha geração e o que, por ser de pelo menos, duas gerações atrás, se torna simpatico aos meus olhos, quase apetecível:


A primeira fotografia retrata um trecho de um quarteirão que se impõe pela monotonia das linhas. Acredito que, à data da estreia do Playtime fosse apelativo aos seus moradores -era novo, cheirava a novo, implicava o novo. Mas hoje... que extraordinário bocejo, que adormecimento para quem olha, que "socialização" do espaço, que bandeira deslavada apelando à uniformidade!


Mais à frente, este edifício parece renascer de um passado que, eventualmente lhe terá sido padrasto: seria esta, aos olhos dos seus contemporâneos, arquitectura revivalista (no sentido de ser feita para reviver na periferia o brilho dos grandes boulevards) ou arquitectura menor? Hoje, o baço da patine aparece brilhante, a heterogeneidade da fachada aparece estimulante, todo o edifício se constitui como um objecto renovado que apetece de novo disfrutar. Que melhor destino para um prédio?

SINAL DOS TEMPOS

Quando imagens como esta circulam velozmente pelas caixas de correio electrónico deste país - sinal de aprovação e concordância - aparece-me como cada vez mais provável a chegada da IV República.

BRASILEDICÊNCIAS

Por e-mail, recebi cópia de um artigo colocado num site informativo brasileiro acerca dos principais não-candidatos a primeiro-ministro nas eleições portuguesas do próximo mês. Não conheço o(s) seu(s) autores nem a benignidade das intenções que nortearam a sua escrita. É, no entanto, uma curiosa visão da política portuguesa. Si non e vero...
[para evitar acusações de difamação fica só o link; leiam directamente da fonte: http://www.gibaum.com.br/ - post do dia 5 de janeiro de 2005 sob o título "Fado tropical"]

janeiro 12, 2005

CADERNO DE VIAGEM - PARIS (III)

Sim, Paris é, cada vez mais pertença deste movimento de homogeneização de signos e gentes que a globalização parece acelerar mas Paris é, ainda, capital de um país mais civilizado do que muitos, sede de um Governo mais preocupado com o futuro de que muitos.


Sede deste ministério, oh admiração de um português viandante.

REBOQUE TURNS GOURMET (XL)


Falar da Tailândia para falar de gastronomia parece, nestes tempos de luto, uma frivolidade. Admito que possa parecer incorrecto - eu mesmo sinto alguma má consciência. E, no entanto, que melhor maneira para celebrar os que ficam, a vida que tem de forçosamente continuar, os países que não deixaram de existir?
Sábado passado, a tertúlia reuniu-se à volta de uma mesa asiática, eclética, heterogénea, pantagruélica. Sem o assumir, celebrou-se a fortuna da vida e da abundância, celebrou-se o prazer do sentir, do saborear.
Mais uma vez, para mim foi o desafio de coordenar uma orquestra com executantes melhores do que eu; de encontrar o programa certo; de o conseguir realizar.
(Será que isto interessa a alguém? Será que me interessa a exposição?)

janeiro 11, 2005

MAL-ENTENDIDOS

Afinal as mais recentes gaffes governamentais não passaram de más-interpretações dos ministros e da comunicação social:
-A senhora ministra da educação apenas disse que não teria interesse fazer uma segunda conferência de imprensa no hemiciclo;
-O ministro Morais Sarmento limitou-se a aproveitar os dias de férias em S. Tomé para, numa louvável atitude de poupança, efectuar alguns contactos bilaterais pendentes e proceder à entrega do produto do último peditório interno efectuado nos armazéns da RTP.

MATRAQUILHOS

Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, desafia Jorge Coelho, coordenador da campanha do PS, para um frente-a-frente sobre política económica entre os dois não-candidatos a primeiro-ministro (toda a gente sabe que ninguém vota para a assembleia da república com base nos presidentes/secretários-gerais) dos respectivos partidos.
Hum.
Talvez seja interessante.
Duas horas de um diálogo do tipo:
- "Véer iz ze Fallen Madonna wiz ze big boobiez???"
- "Listen verry carrefully, I will say this only once..."

janeiro 10, 2005

THE END OF THE AFFAIR


LARANJA

Em Fevereiro, parece consensual, será a vez da rosa, mas Lisboa hoje, esteve banhada por uma imensa luz laranja:


NOW IS THE WINTER OF OUR...



Lisboa, hoje. (Na província, os campos em flôr)

janeiro 07, 2005

CADERNO DE VIAGEM - PARIS (II)


Posta assim é um lugar comum. É. Mas de comuns coisas se faz a segurança dos nossos passos, ainda que, para segurança tenhamos a casa e a cama quentinha. Já a subi até meio numa manhã de Janeiro tão fria quanto as fragas de Aquilino (também podiam ser as de Torga, mais telúricas, mas "fragas de Aquilino" tem um ritmo que "fragas de Torga" não possui), já a percorri até ao topo turístico num Verão temperado de chuva. Agora, fico dela longe, numa altiva e muito pouco politicamente correcta (ou, sinal dos tempos, muito politicamente correcta) reacção de superioridade face aos magotes de americanos basbaques ou chineses neófitos.
Mas é um farol, visível de todo o lado como os alexandrinos marcos que a História foi registando. E como um farol tranquiliza, neste mar que afinal não conhecemos nada bem, onde não nos reconhecemos.

janeiro 05, 2005

CADERNOS DE VIAGEM - PARIS (I)

Paris - como aparentemente todo o mundo ocidental - globalizou-se. As lojas são cada vez mais iguais, as caras são, na sua heterogeneidade, cada vez menos particulares. Um parisiense típico é tão incaracterístico como um lisboeta, um londrino, um berlinense. Melhor dito: os sinais, existindo, existem cada vez menos à superfície. E para quem vem na esperança de flanar pela diferença este encontro com o que, à superfície, parece igual, é um choque que demora a digerir.


O Metro continua albergue de músicos, músicos cansados, deprimidos na sua maioria, deprimentes, membros de uma loja secreta de mendigos (lembrei-me da organização de "M"). As pessoas olham pelas janelas, poucas contribuem, há um sentimento geral de vergonha. Tocar no Metro deixou de ser um trabalho em part-time para ser um peditório profissional em full-time.

BUCHHOLZ

O aviso chegou-me por mail e já a li espalhada por alguns blogs (por exemplo no Lutz, conterrâneo do seu fundador): a livraria Buchholz aproxima-se da falência.
No passado pré-FNACs gostava de lá ir: gostava das coisas que se conseguiam descobrir por lá (no meu caso, a história da arte e a gastronomia), gostava do espaço desdobrado, gostava de por lá andar sem ser chateado (e ficava sempre com a sensação que me agradeciam que não chateasse muito - uma espécie de disponibilidade só para compradores habituais, um clube do qual nunca me senti parte). Gostava das tentações da discoteca - e não gostava nada de não ter dinheiro para trazer metade dos discos que lá estavam - uma caverna de ali-bábá cheia de segredos importantes, de versões definitivas ou de indispensáveis obras desconhecidas . Num Portugal ainda à procura da Europa, a Buchholz era a Europa possível e possibilitada.
Feliz ou infelizmente, as FNACs vieram pôr a nú as suas insuficiências. A partir da sua abertura tornou-se possível perambular por entre livros e discos até à meia-noite - e verificar que o curto horário da livraria da Duque de Palmela era exasperante quando à sua porta se chegava e já ninguém lá estava para nos atender (porque é que tenho de sair mais cedo para lá ir quando posso ir nas calmas ao outro lado?). Tornou-se possível igualmente a alternância entre estilos musicais - da clássica para o jazz para a pop para as novas tendências para a clássica - e uma interacção mais "íntima" com os vendedores (e a glacialidade alemã da livraria ficou mais exposta). À medida que os corredores da FNAC se enchiam quase se começou a sentir o pó a assentar nas prateleiras da sua antecessora. O tempo cristalizou no seu interior e começou a parecer-se cada vez mais com mais um dos pontos de paragem de uma imaginária peregrinação pelos caminhos da esquerda cultural de sessenta/setenta.
Frequentar a Buchholz começou a tornar-se um acto de militância. E talvez por isso, com as militâncias tão burguesamente arrumadas apenas na prateleira das grandes causas, a Buchholz se aproxime do fim.

ELEIÇÕES (II)

Pelo bocadinho que ouvi do Fórum TSF desta manhã, ou anda por aí um grupo agit-pro a fazer campanha pelo voto em branco ou o sentimento já se encontra muito generalizado.
Eu confesso-me mais perto da hipótese, agora que o MPT se resolveu vender ao (ex) poder...

ELEIÇÕES (I)

Se Sampaio poupou o país a umas eleições com Ferro Rodrigues como lider do PS, não percebo porque não concede agora uma moratória perante esta direcção do PSD completamente exangue.

janeiro 03, 2005

O QUE PODEMOS FAZER?


Há coisas que estão ao nosso alcance fazer, mais do que mantermos o rabo comodamente instalado no apartamento sequinho enquanto o dedo se esfalfa na marcação telefónica ou displicentes, com a culpa afastada pelo gesto feito, enviarmos a ordem de transferência de alguns euros para as contas do costume (quantos euros demos a mais do que os que é usual deixar de gorjeta no restairante habitual?).

Tenham-se ideias, contactos, referências: como solidarizarmo-nos causando incómodo ao nosso quotidiano, como partilharmos fazendo o quilómetro extra? Vamo-nos (eu, tu, nós, blogueiros palavrosos e restantes concidadãos) deixar de sampaices e realizar coisas?

[Caixa de comentários e mail à disposição, as usually]

janeiro 02, 2005

ÂÂÂÂ......


(Como é que é.... ah!)
Eles falam falam, falam falam e não fazem nada, fico chateado, concerteza que fico chateado!!!!

janeiro 01, 2005

SOLIDARIZAR-ME

Eu não tenho muito dinheiro - estou à espera da devolução do IRS que ainda não chegou, estou à espera dos pagamentos das câmaras caloteiras que encomendam trabalhos e depois inventam burocracias para dilatar o prazo do pagamento acordado, estou à espera que as incompetências dos administradores, que encomendam projectos e só se lembram dos concursos depois destes entregues, se resolvam - para repartir pelos que nada têem e tudo perderam no tsunami do passado Domingo.
Mas tenho trabalho. Haverá alguém que me saiba indicar quem aceite alguns dias do meu braço e do meu cérebro para melhor os aplicar na solidariedade de quem precisa?

ÍTACA

Por vezes, é o acaso. Desta vez, pela lembrança da Carla Quevedo, uma possível resposta.
Ítaca sim, vale pelo caminho.

2005, bah


dezembro 29, 2004

DEMAGOGIA

A receita de um dia de entradas nos museus do Vaticano.
Os direitos de autor de um ano de vendas das imagens da Capela Sistina.
O valor atingido em leilão pela venda de uma das centenas de absolutas obras-primas existentes nas reservas do Vaticano.
Os juros que os saldos bancários do IOR rendem num mês.

Eis a minha modesta contribuição de leigo para auxílio às vítimas. Respondendo do fundo do coração ao apelo de Sua Santidade João Paulo II.


CONTRIBUIDES VOCESES

E Sua Santidade apelou às dioceses de todo o mundo para que organizem campanhas de peditórios dos fieis em apoio às vitímas do maremoto.
Perante a penúria vivida no Vaticano é natural que o ónus de libertação dos seus bens terrenos recaia sobre os fieis.

DESASTRES

Face às imagens respeitantes à calamidade asiática que passam quase em sessão contínua nos canais televisivos de todo o mundo, não deixo de recordar a cena do ano passado de comédia que se poderia ter tornado muito trágica dos magotes de imbecis que, perante o aviso de aproximação à costa algarvia de uma vaga gigante não quiseram deixar de marcar presença junto à praia para a galgar em primeira mão.
Será que hoje agiriam de modo diferente?

REGRESSO

Regressei a um país a quem a esperança natalícia não parece ter tocado. A mesma descrença, a mesma apagada e vil tristeza.
O primeiro-ministro gestionário surfa na onda polémica do desastre asiático e limpa-se do marasmo organizacional diplomático garantindo um puxão de orelhas a quem tirar a fava da culpabilidade.
De Belém, como de costume, um silêncio total.
Em amigos e conhecidos, empresários ou gestores, a mesma orelha murcha de descrença face aos méritos do futuro.
Recebo cartas a parabenizar-me pelo aumento de crédito disponibilizado.

Isto é uma alegria.


dezembro 18, 2004

GONE FOR SOME DAYS


Cette planète s'en va pour quelques jours (if you pardon my french...)

CALIFORNIA DREAMIN'


Lisboa, hoje

dezembro 16, 2004

ELEIÇÕES

Postos perante a incompetência política e a ausência de projectos visionários, técnica e economicamente exequíveis, creio que a cada vez mais portugueses será cada vez mais apelativo este slogan:


SCUTS

Bendita incoerência a que a demagogia obriga!
Este governo extinto, actor - com toda a razão - do combate à prática cofidis da era Guterres corporizado nas SCUTS, resolveu, por manifesta incapacidade de ir mais além na criatividade contabilística dos últimos anos, tapar o Sol do déficit orçamental com a peneira da venda de alguns (muitos) edifícios públicos.

Já hoje de manhã, na mesma semana em que a medida é anunciada, ouvi a notícia de que a mesma tinha sido abandonada. Provavelmente por razões processuais ou constitucionais, nem tive pachorra para percerber porquê. Como quase sempre, por technicalities. Nunca pelas razões certas. Parece-me óbvio que, antes dessas, a medida deveria ser abandonada pelos pesados encargos que criaria no futuro (o que está em contradição com o que foi dito até agora pela maioria em relação ao governo PS anterior) e pela possibilidade de, a prazo, o contrato de arrendamento ser rescindido (por falta de pagamento, por exemplo), ficando o património à mercê de projectos imobiliários que não visariam a sua manutenção. Por exemplo: há alguma dúvida acerca da apetência da moradia do Instituto Camões para a sua substituição pelo último mamarracho verde que falta na bordadura da praça do Marquês?

dezembro 14, 2004

NEAR DUSK


PROCISSÃO


Alguém me explica porque é que, às 8 da noite de um Domingo, todo o percurso entre a avenida da Liberdade e o Terreiro do Paço era um gigantesco engarrafamento?
Haverá ainda mais bimbos deslumbrados em excursão nocturna a passo de caracol às iluminações natalícias do que eu pensava?
Lá se vão as notícias da crise...

dezembro 13, 2004

IBERIA!

Eu não acho nada que seria óptimo se Portugal passasse a ser mais uma comunidade autónoma de Espanha.
O que seria óptimo era Portugal passar a ser - oficialmente - uma colónia de Espanha.

VIVA O DANTAS, VIVA PIM!

Caminhamos alegremente para o fim da III República. Alegres, porque irresponsáveis, os intervenientes políticos, divertem-se com jogos de retórica palacianos, jogos florais de publicação ansiada na comunicação social, brilhantismos e bravatas inconsequentes e já gastas.
O autismo da classe impressiona.
A inconsciência com que se repetem erros do passado (e a história não se repete - continua) impressiona.
A I República afogou-se num mar de anarquia e violência auto-gerado. À crise económica intratável (Salazar viria qual inocente e desinteressado anjo da guarda explicar como se deveria fazer) juntou-se o completo descrédito do regime causa directa do abismo criado entre a realidade dos cidadãos e o mundo parlapatório dos dirigentes.
A I República caiu ridiculamente com o tédio de um general exilado em Braga.
Como cairá a III?

dezembro 12, 2004

ACTUALIDADES

estou tão profundamente irritado com todos os acontecimentos das duas últimas semanas, com todos os actores políticos, com toda a facilidade com que se discutem trivialidades e se esquece o essencial, com que se discute o modo e se esquece a substância, com que se esquece que estamos a tratar do futuro de um país e que isso implica afectar - bem ou mal - a vida de 10 milhões de pessoas, que só consigo chamar PALHAÇOS a todos.

dezembro 11, 2004

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (V)

De volta ao baú deste filme. A avenida João XXI no cruzamento com a avenida de Roma:


na altura da sua construção e no presente.
Gosto desta espécie de arqueologia da arquitectura contemporânea.

DE NOVO


Finalmente, a possibilidade de fotografar digitalmente (ente, ente... hum... é fraquito, é fraquito...)

SHORTAGE

Assim como estou absolutamente impreparado para viver sem electricidade, esta semana fez-me compreender a absoluta dependência que tenho da net. Bastou uma virose esquisita, lenta, gradual, a enfaralhar os caminhos de electrões nas profundezas do meu PC, para me cortar das ligações a este cibernético mundo. E o estado de irrequietude com que me surpreendi uns dias depois é disso prova evidente.

dezembro 03, 2004

EU FIZ PISCA PARA PARAR, PORRA!

Os portugueses são definitivamente mais talhados para as grandes acções do que para os pequenos gestos do dia-a-dia.
Veja-se o exemplo das nossas forças de segurança pública: com um batalhão estacionado no efervescente iraque tudo tem corrido sem crises. Pelo contrário, dois experientes batedores que prestavam escolta hoje ao Presidente de Cabo Verde, não evitam um choque aparatoso entre si. Organizem-se, pá!

ORDEM DOS ADVOGADOS

Eu não sou advogado, mas se fosse, o meu voto iria sem hesitações para António Marinho.
Dá-lhes Tó!

E EU É QUE NÃO TENHO SENTIDO DE ESTADO???

Pedro Santana Lopes. tão mal tratado pelo país político e real nos últimos meses, deve ter-se sentido reconfortado nos últimos três dias com a postura do Presidente da República. É que - também no seu caso - não há memória, desde a 1ª república de tanta asneira junta, tão concentrada no tempo e na mesma pessoa.

PANIS CIRCUS

- É pá João Bosco (*) desculpa lá, pá, esqueci-me de te avisar que te ia dissolver a casa...
- Oh senhor Presidente, um esquecimento toda a gente tem, não se fala mais disso!...

(*) - João Bosco Mota Amaral é o Presidente da Assembleia da República e a segunda figura na hierarquia do Estado. Não foi notificado previamente pelo Presidente da sua pública intenção de dissolver a Assembleia da República num futuro próximo.

Ó JORGE, EXPLICA LÁ DEVAGARINHO E POR POUCAS PALAVRAS

O Primeiro-ministro anuncia que foi despedido e que o senhor Presidente lhe anunciou que ia dissolver a Assembleia da República.
Não é desmentido.
Três dias depois, o senhor Presidente da República diz que não declara nada porque ainda não dissolveu a Assembleia da República nem demitiu o Governo.

É UMA CABALA, CARAGO!!!

Curiosíssimas reacções dos adeptos do FCPorto quando postos perante a situação de Pinto da Costa:
- "Bão mas é prender os gaijos de Lisboa que non pagam impuostos!!!"
- "O Benfica é que paga com acções que non existem e é o Porto que beíem chatiar!!!"
- "Quando o Puorto estaba em seixto ninguém dizia nada, aguora que bamos em primeiros é que aconteice isto!"
- "Caso? Mas que caso? Bão mas é atrás de quem num paga impuostos!!!"

Inevitável. Citando o Prof. Cavaco, é mais um exemplo da moeda má Jardim a influenciar as moedas boas do Porto...

DUAS NOTÍCIAS DE HOJE

Dos noticiários
"A Polícia Judiciária procura Pinto da Costa (...)"

Press-release empresarial
"Será lançada brevemente uma edição adaptada à realidade portuguesa do famoso livro onde está o Wally (...)"




[Actualização (19:00): Pinto da Costa já se encontra no tribunal de Gondomar na condição de detido para prestar declarações no âmbito do caso "Apito dourado". Chegou com 4 horas de atraso em relação à hora anunciada]

dezembro 02, 2004

ZZZZZZZZZZZ

Segundo dados de UE, em 1995 o nosso nível de riqueza era de 73 (base 100 da média da Europa a 25).
Em 2003 o nosso nível de riqueza era de... 73.
Deve ser esta a estabilidade que todos ansiosamente almejam.
Terça-Feira
O Presidente da República recebe o Primeiro-ministro e não aceita o nome do novo ministro dos desportos. "Fontes" da Presidência revelam aos jornalistas que o Presidente irá demitir o Governo o que leva a que as televisões revelem a "cacha" antes do final da audiência. O Primeiro-ministro, numa declaração ao jornalistas à saída da audiência com o Presidente da República, anuncia o seu despedimento.
Quarta-Feira
Feriado. Os canais televisivos desdobram-se em mesas-redondas, análises políticas e comentários ao despedimento do dia anterior. O Presidente da República diz que não fala à porta de casa mas que, no dia seguinte, fará uma curta declaração. Durão Barroso, primeiro-ministro de Portugal até há 4 meses, actual presidente da Comissão Europeia, responsável pela indicação do seu sucessor, diz que não comenta "política interna de um Estado-membro". António Guterres, penúltimo primeiro-ministro, comenta "o pântano" que se mantém e acrescenta que foi a necessidade de clarificação do mesmo que o levou a demitir-se há três anos atrás.
Quinta-feira
O Presidente da República declara que nada tem a declarar porque ainda não tomou nenhuma medida: o Parlamento não está demitido, o Governo ainda está em funções. Todos têm legitimidade para continuar a fazer o que estavam a fazer e quando tomar alguma medida fará uma comunicação ao país. Todos os partidos começam a apresentar as estratégias a seguir para a campanha eleitoral próxima.
Recomeça o julgamento do "Caso Casa Pia". O circo mediático televisivo reinicia-se, com dezenas de reporteres à volta do tribunal e inúmeras ligações televisivas "em directo".
É. Às vezes este país não passa de um grande circo.
Está cheio de malabaristas. E de palhaços.

dezembro 01, 2004

HÁ COINCIDÊNCIAS

José Abrupto Pereira deseja o mesmo que eu postei anteontem: Cavaco volta, transforma-te na moeda boa que já foste. Aprecio o esforço (e penso que é uma das raras soluções que evitariam a hecatombe que se avizinha para o PSD e para o país - não nos deixemos enganar pelo ar melífluo de Sócrates, os lobbies correm poderosos também no PS e o que em PSL é visível nele está muito bem maquilhado) mas não estou a ver que seja possível. Vejamos, Cavaco não funciona sózinho, precisa de ministros bons - e, nas condições actuais, onde estão eles? Não acredito que aceitasse fazer um governo com segundas figuras ou com figuras recauchutadas de há 20 anos - veja-se o caso Barreto.
Portanto, a ideia era boa mas, caro PP, messiânica mesmo. Dupont Sócrates sucederá a Dupond Lopes.

novembro 30, 2004

BILHETE POSTAL

Caro Jorge,
Chegaste finalmente à conclusão - com o cair da folha e mais uma das inúmeras trapalhadas a que este Governo nos habituou - de que o nosso Pedro Miguel não é o homem certo para o lugar certo (ainda que, se tivesses mais atenção ao princípio de Peter, saberias que o homem já tinha ultrapassado o seu grau zero de competência há várias presidências atrás).
Mas,
- considerando que o país necessita de cumprir os 3% do défice;
- considerando que a situação económica não se compadece de exercícios contabilísticos por duodécimos e que, portanto, é preferível um sofrível orçamento aprovado do que um por aprovar;
- considerando que dava jeito a todos os fornecedores do Estado receberem o devido a tempo e a horas;
porque diabo é que resolveste agora dissolver a porra da Assembleia quando o poderias ter feito com toda a calma nos idos de Junho???

CATRAPUM!!!!!!


novembro 28, 2004

E PRONTO

Está finalmente completa a eleição dos 5 grandes tim-moneiros.


(o último português a fugir não se esqueça de apagar a luz)

INEVITABILIDADES


MINISTRO DOS DESPORTOS APRESENTOU HOJE A DEMISSÃO

Bolas, que o comentário político de Cavaco Silva é mesmo eficaz!...

novembro 26, 2004

VIAGENS

Vocês, os viajados, que conhecem as sete partidas do mundo e as incontáveis chegadas, auxiliem-me nesta dúvida: Praga ou Londres ou Paris ou Roma ou Amesterdão? (Note-se que Paris e Londres são velhas amigas). Todas têm qualidades, mas quais qualidades me devem ser mais apelativas no presente: os museus, a beleza, as compras, o flanar...?
Como compreenderão, este é, neste momento, um problema terrível, maior do que o défice orçamental ou as pergunras do referendo. Não me querem ajudar? Vá lá, me liguem...

novembro 24, 2004

QUANDO NÃO SE ESCREVE...


Rabisquei esta silhueta veneziana no final de um almoço tranquilo, onde tranquilo saboreei um spaghetti al vongole delicioso acompanhado por um Soave, sugestão da companhia ilustrada. Lembro-me da luz de Inverno: um Sol persistente no meio do frio e de voltar a confirmar que as águas da laguna aportam a mesma humidade ao ar do que o remansado Tejo. Pena que não tenhamos Palladios na outra banda...

REFERENDO

E vocês: como é que vão votar no referendo?

novembro 23, 2004

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (IV)


Mais eléctricos, colheita 1948, na avenida Almirante Reis, o pessimista por excelência do século passado.

novembro 22, 2004

PRODUÇÃO...

... de húmus.
Discreta, discreta, como convém a matérias que trabalham na sombra a produzir beleza. É claro que, como planeta, eu preciso diariamente de uma boa dose de luz solar, mas os meus rios (e são os rios, não as planícies) bebem deste composto.
Estou tentado a festejar esta descoberta lenta. Com pasta, muita pasta, aromatizada com os molhos mais inesperados, nos quais os frutos secos façam figura de reis.

novembro 19, 2004

REFERENDO CONSTITUCIONAL EUROPEU (V)

Não percebo tantos protestos face à absoluta incompreensão dos termos da pergunta a incluir no referendol. Se, ao invés de ser a emanação lusitana da rainha de Inglaterra, Jorge Sampaio ainda fosse secretário-geral do PS, tenho a certeza de que imporia uma pergunta mais neste género:

"Anui à Bula de Prerrogativas Basilares, ao preceito de arbítrio por superioridade e ao neo mapa organizacional da UE, nas posturas consignadas na Constituição para a Europa?"

REFERENDO CONSTITUICIONAL EUROPEU (IV)

Inspirado pela clareza e concisão da pergunta escolhida para o referendo à Constituição Europeia, sugiro as seguintes perguntas para referendos que, mais cedo ou mais tarde, serão obrigatórios de fazer em Portugal:

- CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA:

"Concorda com a proibição da pena de morte em Portugal?"

- INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ:

"Concorda com a proibição da pena de morte em Portugal?"

- CORRIDAS TAUROMÁQUICAS:

"Concorda com a proibição da pena de morte em Portugal?"

- LIMITAÇÃO DOS MANDATOS DOS PRESIDENTES DE CÂMARA:

"Concorda com a proibição da pena de morte em Portugal?"

REFERENDO CONSTITUCIONAL EUROPEU (III)

"Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?"

AUTISMO: Polarização priveligiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante.

REFERENDO CONSTITUCIONAL EUROPEU (II)

"Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?"

Se não se concordar com os restantes artigos da Constituição o que é que se responde?

REFERENDO CONSTITUCIONAL EUROPEU (I)

"Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?"

Faz muito medo perguntar directamente se se concorda com a Constituição para a Europa?

novembro 18, 2004

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (III)

Não consigo identificar estas colinas e vale, de referência tenho apenas o complexo do hospital de Santa Maria (ainda devia cheirar a tinta) e a linha do comboio. O bairro social "provisório" foi menos definitivo do que os outros porque a minha memória dele não retém lembrança. Será próximo de Campolide? Nas traseiras da estrada de Benfica? Mistério. Um cerco verde a uma Lisboa com a mesma população de hoje em vez da presente e feroz ditadura do triste betão, é o que é(ra).

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (II)


Antes da massificação dos lugares de transporte (havia uma lotação decente, o número de lugares sentados mais quatro lugares em pé, quem podia ir, ia, quem não podia resignava-se a mais 15 minutos de espera) os autocarros rodas-baixas da Carris eram assim. Eu ainda apanhei os últimos resistentes, na carreira 37 para o Castelo. Pelo menos serviram para o turismo.

Lisboa, 1948, num Campo Grande ainda fora-de-portas.

ora bolas,

Atão eu ando praqui a tratar do carcanhol pros manos, investimentos e trabalhos e coisas, e voces a falar de liberdade de expressão e do caraças que não intressa nada? Fosgan-se!!!

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (I)

Fantástica viagem ao passado da cidade, "Lisboa de hoje e de amanhã" é um "documentário" de propaganda da Câmara Municipal de Lisboa realizado em 1948 pelo cineasta do regime, António Lopes Ribeiro que aparece como extra da recente edição em DVD de "A Vizinha do Lado". Qual arca pessoana, contém um extenso percurso pelos já esquecidos projectos municipais da época - uma época onde era a autarquia que decidia a cidade - e - incríveis, vivas - imagens tiradas de um tempo que não vivi e do qual sinto uma estranha saudade, melancolia, talvez.


Este bailado de eléctricos no Martim Moniz que se abria sobre os escombros da rua da Palma é irrepetível na minguada dieta de hoje, onde só sobrevivem o 12 e o 28...

novembro 15, 2004

ESTÁDIO POUCOCHINHO

Tive - finalmente! - a oportunidade de ver o Estádio José de Alvalade por dentro, vivê-lo como deve ser, sentado nas confortáveis cadeiras, a assistir a um espectáculo que começou sem o ser e que acabou por merecer o nome por via da meia-dúzia de golos marcados pela equipa da casa.
Confirmei o que achava: o estádio é uma banheirinha. Quero lá saber da sensação de intimidade, o que retive foi a sensação de tacanhez!
Do que gostei, foi dos mimos das zonas VIP, do relativo profissionalismo (ou melhor, da relativa aura de profissionalismo), da agradabilidade da decoração interior da área de restauração - terá sido o mesmo arquitecto?
Com o que eu não me conformo é com o amarelo - para além da falta de gosto, o Paços de Ferreira é que tem essa côr no equipamento...

novembro 12, 2004

VINHO!

A minha médica informou-me ontem que as últimas investigações médicas americanas recomendam a ingestão diária de dois copos de álcool às mulheres (para evitar já não sei que tipo de complicações). Aconselhou-me igualmente a tomar um (olhe que é um, só um!...) copo de vinho às refeições como forma de combater o colesterol (que finalmente está razoável, obrigado por perguntarem).
E pronto. Assim como este Verão de S. Martinho nos alegra o quotidiano com o seu céu azul profundo e o sol cru deixado livre cria curiosas miragens por entre o fumo dos assadores de castanhas, também a perspectiva de retomar os encontros com os perfumes e os sabores que mantenho engarrafadamente escondidos no mais profundo da despensa me alegra o futuro próximo.
And so life goes on.

novembro 10, 2004

LITERALIDADES


À arte cabe a tarefa de permitir perguntas, muitas das quais nem subentendidas estariam no presente do criador. Esta peça é um falo, uma deusa, uma representação do mundo?
Hoje, para mim, é "apenas" um grande dedo (o trocadilho fica melhor em inglês, enfim...). Up yours, no seu sentido mais literal .

SPONSORS

Os profissionais da central merecem cada cêntimo que ganham. Isto do ponto de vista de quem os empregou, claro. Duvido que quem lhes paga pense o mesmo.
Depois da orgia de comunicações e aparições mediáticas dos primeiros cem dias, estas duas últimas semanas parecem Agosto em Lisboa. E tão em silêncio anda todo o poder que esta travagem na descida dos impostos quase passava despercebida, não fora a natural sede de conflitos que anima a comunicação social.
Falando agora da medida em si: admitindo como altamente provável que, em Setembro de 2006 já quase nenhum dos beneficiários se lembrará dos avisos feitos agora, já viram o fartote de simpatia pelo Governo que a chegada dos cheques do reembolso fiscal engordecidos vai gerar? Uma pequena sugestão: porque não fazê-los acompanhar de uma pequena carta com a foto do senhor primeiro-ministro e a singela frase - Já reparou como a sua carteira anda mais recheada?

novembro 09, 2004

LISBOA, MAR

Esta é a quintessência da minha cidade: uma vista do rio / mar, uma esplanada e muito tempo para conversar à frente de um saboroso peixe grelhado. É, é quase a letra de Itapoã do Dorival Caymmi - falta-nos o glorioso esplendor tropical da Bahia, mas ainda resta o céu azul mesmo no Inverno e a capacidade para podermos comer bom peixe, bem cozinhado.
É um presente que não vai durar muito mais. Talvez a minha geração, duvido que a próxima. Por isso, circundemo-nos de rosas, amemos e bebamos. O mais será mesmo nada.

novembro 08, 2004

DEMOCRAZY

Não têm a sensação de que o nosso estado democrático nos coloca sinais destes à frente com cada vez mais frequência?

SKETCH CRAWL

Tenho-me referido algumas vezes ao fascínio que os diários ilustrados de viagem me causam. "Diário ilustrado" é um termo um bocado bacoco, datado. Caderno de viagem, talvez, traduzido directamente do francês carnet de voyage. Diary, journal. Eu, que gostaria de ser muito mais artista do que sou, de conseguir transmitir como vejo, deslumbro-me quando encontro quem o consiga fazer.
Descobri mais uma das possíveis maneiras: sketch crawl, por um italiano radicado em Nova Iorque, storyboarder nos estúdios Pixar. Com uma variante: as viagens são uma espécie de viagem à volta do meu quarto na própria cidade. No próximo 21 de Novembro propõe-se criar um passeio trans-nacional com os resultados a serem posteriormente publicados na net. Leiam-se pormenores aqui.

novembro 07, 2004

PRIMEIRO MUNDO

Tudo (que não todos) me quer convencer que sou um afortunado a viver no primeiro mundo: o meu país faz parte da União Europeia, pago com uma moeda forte, estou a ver na televisão um canal que transmite o Holandês Voador... Mas quando quero ser acarinhado por aquelas tontices consumistas que - essas sim! - caracterizam as delícias dum mercado atento e eficaz - zut, nada, niente!!!
Apetece-me pegar no telefone e encomendar comida tailandesa - onde está? A aproximação mais infinitesimal que consigo condena-me a enfiar os sapatos e palmilhar até ao 365 chinês mais próximo para o mais que ocidental chau-chau-chao-mi-chop-suey da ordem.
Nas sábias palavras do grande Calimero, it's an injustice, it is...!

novembro 06, 2004

NOVAS ADIÇÕES

... à categoria food. Sites gastrónimos. Ficam sempre bem na nossa gula (mais ou menos) descontrolada:
- An Obsession with Food
- Chocolate & Zucchini
- Il Forno
- Shiokadelicious!
- Tasting Menu
- The New York Times Dining & Wine
- Vinography, a Wine Blog

novembro 05, 2004

TACHAS

A piada da semana chega só hoje: justificar a criação de taxas de entrada na cidade para "diminuir a dependência que Portugal tem dos produtos petrolíferos" não é um "sound-byte", é um "morde-aqui-a-ver-se-eu-deixo". Um imposto para diminuir a dependência? E porque não uma taxa sobre os produtos alimentares para diminuir a dependência que Portugal tem dos produtos agrícolas espanhois?
Ai, ai, se o ridículo matasse...

PESPORRÊNCIAS

Há uma notícia que me martela os ouvidos desde o princípio da manhã via TSF e que irrita, irrita, irrita. Uma qualquer menoridade ministerial israelita (pois, não é só por cá) arroga-se o direito de conceder ao seu país poder não só sobre os vivos mas também sobre os mortos: segundo ele, Arafat não será "autorizado" a ser enterrado em Jerusalém porque "em Jerusalém só se enterram os reis judeus e não os teroristas árabes". É imbecil, é pesporrento. É um pecado. É tão para além do que deve ser o objectivo de um Estado e de uma Religião - a procura de uma convivência justa entre todos os homens - que me deixa sem palavras.
Só um pequeno comentário: eu sei que a definição do bem e do mal é relativa e que a última palavra cabe sempre aos vencedores. Mas, para além do credo e da nacionalidade, qual é a diferença entre o terrorismo que foi o de Arafat e o terrorismo que foi o de Begin, Dayan, Rabin, Shamir ou Sharon (e reporto-me só aos atentados e assassinatos que os mesmos efectuaram contra as tropas inglesas antes da criação do Estado de Israel)? Estar-lhes-à também vedado para todo o sempre o caminho do Paraíso?

novembro 04, 2004

LINKS

Criei mais uma galeria de sites de blogs com ilustrações (continuo a perseguir "o" caderno de anotações ideal): artsy (à falta de melhor imaginação). (ena pá, tantos parenteses!!!)
Primeiras referências: Everyday Matters, Guild of Ghostwriters, Wish Jar Journal, Moleskinerie, Michael Dobs.

Como sempre, contribuições são bem vindas.

NEM TODOS NO MESMO SACO

... ou alguns exemplos porque, ainda que tentador, não se deve tomar a árvore pela floresta:

1. Ten Reasons Not to move to Canada: Aqui (gosto especialmente de "americans are Not All YAHOOS")
2. George- Today, I am a disappointed woman. I have not voted for you and I do not like you. You say you would like to gain my trust. Here are a few ideas: Aqui
3. Sour grapes and bleeding hearts e os comentários subsequentes: Aqui

novembro 03, 2004

novembro 02, 2004

VITRIOLICA


Caída do céu.
Comentar assim o quotidiano é uma arte que - infeliz sou - me foge. Vê-la é dilatar o meu entusiasmo por a saber possível.
(É uma maldade roubar assim imagens dos outros - mesmo com link, mesmo com chamada de atenção - mas sabe tão bem divulgá-las. E pronto)

novembro 01, 2004

ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Ontem foi dia de Halloween - será que amanhã será de Hollow-wins?