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dezembro 11, 2004

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (V)

De volta ao baú deste filme. A avenida João XXI no cruzamento com a avenida de Roma:


na altura da sua construção e no presente.
Gosto desta espécie de arqueologia da arquitectura contemporânea.

novembro 18, 2004

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (II)


Antes da massificação dos lugares de transporte (havia uma lotação decente, o número de lugares sentados mais quatro lugares em pé, quem podia ir, ia, quem não podia resignava-se a mais 15 minutos de espera) os autocarros rodas-baixas da Carris eram assim. Eu ainda apanhei os últimos resistentes, na carreira 37 para o Castelo. Pelo menos serviram para o turismo.

Lisboa, 1948, num Campo Grande ainda fora-de-portas.

LISBOA DE HOJE E DE AMANHÃ (I)

Fantástica viagem ao passado da cidade, "Lisboa de hoje e de amanhã" é um "documentário" de propaganda da Câmara Municipal de Lisboa realizado em 1948 pelo cineasta do regime, António Lopes Ribeiro que aparece como extra da recente edição em DVD de "A Vizinha do Lado". Qual arca pessoana, contém um extenso percurso pelos já esquecidos projectos municipais da época - uma época onde era a autarquia que decidia a cidade - e - incríveis, vivas - imagens tiradas de um tempo que não vivi e do qual sinto uma estranha saudade, melancolia, talvez.


Este bailado de eléctricos no Martim Moniz que se abria sobre os escombros da rua da Palma é irrepetível na minguada dieta de hoje, onde só sobrevivem o 12 e o 28...

novembro 09, 2004

LISBOA, MAR

Esta é a quintessência da minha cidade: uma vista do rio / mar, uma esplanada e muito tempo para conversar à frente de um saboroso peixe grelhado. É, é quase a letra de Itapoã do Dorival Caymmi - falta-nos o glorioso esplendor tropical da Bahia, mas ainda resta o céu azul mesmo no Inverno e a capacidade para podermos comer bom peixe, bem cozinhado.
É um presente que não vai durar muito mais. Talvez a minha geração, duvido que a próxima. Por isso, circundemo-nos de rosas, amemos e bebamos. O mais será mesmo nada.

agosto 11, 2004

E O CHIADO QUE FALECE...

Mentira que é há muitos anos, que o incêndio tornou mais visível e que a reconstrução procurou ocultar, o Chiado continua a morrer. Se há cancros urbanos cuja cura é desconhecida o do Chiado é um deles. Por aqui apenas anestésicos e placebos de duvidosa eficácia se ministraram nas últimas décadas.



Do que foi o melhor restaurante da cidade resta uma memória envergonhada, estandartes rasgados de uma magnificência que soube sobreviver à revolução política mas não resistiu à mais recente e eficaz ascensão dos novos poderes económicos e sociais. Quem já visitou cemitérios antigos perceberá a minha imagem: aqueles toldos rasgados são as cortinas que desesperam nos jazigos de famílias extintas - sobra o nome, a memória reduzida aos poucos afortunados que ainda vivem e tiveram a oportunidade de conhecer o seu esplendor. O Aviz era tão ou mais património cultural da cidade quanto o São Jorge ou o palácio Pancas-Palha - para falar de dois edifícios para os quais houve a vontade, a coragem e o dinheiro para os salvar da demolição. Estes ainda servem, aquele não mais.



Já este edifício, fendilhado de cima a baixo e objecto de monitorização de patologias, me parece imagem suficiente do escrevi no início: o Chiado está doente - de doença prolongada - e vai morrendo aos poucos, corroído nos seus alicerces. Estruturalmente, terão sido as obras do Metro a dar o grande impulso. Arquitectonicamente também - veja-se a cloaca no Largo do Chiado - , ainda que em menor grau do que a reconstrução pós-incêndio. A vida é feita de experimentar, num ciclo tentar-errar-aprender-melhorar. Assim houvesse a coragem de o assumir neste caso e de tentar corrigir os males induzidos. Mas é mais fácil pseudo-fechar bairros ao trânsito automóvel e entaipar ruas com obras de fachada.

CRÓNICA DE UMA CIDADE QUE CAI

Depois de umas sardinhas no meu restaurante de coração do Bairro Alto (sim, o 1º de Maio qual haveria de ser?) um percurso higiénico até à Baixa. Não foi preciso procurar para me saltarem à vista exemplos múltiplos da falácia que é a recuperação de edifícios antigos. Deixo dois exemplos, muitos há, no caso presente de obras aparentemente particulares - aquelas "entidades" em quem o Estado liberal confia para livrar Lisboa de chagas e mazelas arquitectónicas:

1 - Bairro Alto, prédio recuperado há pouco


São já nítidas as infiltrações, fruto provável de um tratamento dado a correr à cornija, juntas mal colmatadas ou cobertura mal assente. O que fica são os prováveis compradores com uma dívida ao banco e um andar acabado de comprar com patologias exteriores e, provavelmente, interiores.

2 - Largo de Camões, Chiado


Esta terá sido uma das obras "civis" mais polémicas dos últimos anos, uma história mal contada de reabilitação com apoios camarários para uma cooperativa de filhos e conhecidos de autarcas (corrija-me quem a melhor saiba contar). As obras pararam, recomeçaram, aparentemente o prédio ainda não está habitado. Não está habitado, mas já tem queixas. Veja-se a parede manchada no penúltimo andar antes da cobertura, aqui o problema parece vir da varanda superior. Pior, no entanto, para uma obra seguida oficialmente pelos técnicos da autarquia, é a conduta de ventilação que termina curta ao lado da janela do sotão. Então os regulamentos servem para quê?

fevereiro 16, 2004

REBOQUE TURNS GOURMET (IV)



Sol de Lisboa, tempo para sobrar, uma tasca da zona histórica ainda livre de turistas. Filetes de pescada envoltos no polme certo e fritos no ponto: macios, quase crus, derretendo-se no palato. A inevitável açorda lisboeta (a que os alentejanos chamam migas) com o perfume dos coentros. Salada "mista" e de preferência um copo de três. Matar a saudade com uma bica a olhar o Tejo.