outubro 01, 2006

THIS IS THE END, MY FRIENDS

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3 anos. Foi há precisamente três anos que o Planeta nasceu.

(3 é um bonito número, curvilíneo, sensual)

Pronto, o Planeta chegou aos limites do nosso (do meu) sistema e deixa de emitir. Mantém a memória para o corte não ser tão radical para o seu autor - o hedonismo é uma prática difícil de substituir - mas só.

Ide, pois, à procura de outras aventuras galácticas que, por aqui, se acabaram as novidades.

setembro 23, 2006

setembro 19, 2006

THRILLER

O ministro da Saúde anuncia taxas moderadoras para as operações, como forma de diminuir a apetêncis dos portugueses pelas mesmas.

Eu bem sabia que eramos todos uns maiquels jaquessones.

setembro 16, 2006

THE SUN

Totalmente patética, esta primeira edição do novo semanário português. Umbiguista e incapaz de matar a ligação ao pai, a imagem fiel do seu director.

Na página 3 do caderno principal - como não poderia deixar de ser - lá está a "Política à Portuguesa" renomeada "a sério". Aliás, todo o primeiro caderno - apesar do grafismo que se pretendeu "original", apesar da côr - é uma permanente citação do Expresso, quer pela organização de temas, quer pela tipo de escrita quer, principalmente, pela profusão de referências indirectas à anterior empresa da maioria dos seus jornalistas.

A edição contém ainda uma "agenda" com dimensões e conteúdos em tudo idênticos à do Expresso; Uma revista fútil e cheia de nada idêntica à Única, com um artigo de fundo sensacionalista escrito pela mais mediatizada jornalista portuguesa de investigação que continua a confundir escrita criativa com narrativa desconexa e baralhada; e um suplemento côr-de-salmão dedicado - pasme-se! - à economia e negócios.

Marca maior deste problema filial é o anúncio da publicação - em capítulos! - das memórias do director onde se narrará em pormenor, os meandros da sua saída do Expresso. Isto, depois de uma página inteira intitulada "Como nasceu o Sol - Da ruptura com o Expresso às reuniões fundadoras na casa sobre o Tejo". Como se vê, momento transcendente e marcante na história mundial e - quiçá - do bairro da Madragoa.

Numa coisa, no entanto, este sol português preferiu adiantar-se: na inclusão de temas "light" no caderno principal: Marcelo retorna com a sua prosa em estilo de diário (convenientemente denominado "blogue" para rimar com o ar dos tempos); Margarida Rebelo Pinto alinha uma série de banalidades sobre sexo para nada dizer; Reininho usa a técnica de responder com "silly answers" a "stupid questions". Enfim, a espuma dos dias.

É isto o jornalismo diferente e moderno que o candidato a Nobel Saraiva há meses vem prometendo?

Se calhar, é. Não fica distante da apetência que a maioria dos portugueses vem demonstrando por novelas, reality shows e tudo, tudo, tudo o mais que não obrigue a pensar, a reflectir, a intervir.

Cardoso e Portas, voltem. Mesmo com mais vinte anos em cima, continuam sem rival.

setembro 13, 2006

EPITÁFIO PORTUGUÊS (*)


Dera-se com ele o curioso fenómeno de as circunstâncias ocasionais da sua vida se terem talhado à imagem e semelhança da direcção dos seus instintos, de inércia todos, e de afastamento.

(*) - descaradamente plagiado

setembro 12, 2006

PERSONAL REMINDER #1

Contradicting religious belief, death is a welcome solution for all unwelcome sorrow.

Been watching the other night a documentary about 9/11. Hard for me to understand why was it so hard for everybody to accept many deceased choice to jump instead of burn.

Why is suicide such a bad word?

setembro 09, 2006

FÉRIAS



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BERLINER EXPRESS




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Um formato mais estreitinho é a resposta inteligente do Jornal de Referência desta parvalheira de país à suposta concorrência destrutiva que o anunciado novo jornal do velho seu ex-director lhe virá fazer a partir da próxima semana.

Tão risível quanto o nome anunciado para o rival, a mudança (o refrescamento aparentemente confina-se ao "novo aspecto e novo formato" anunciado na última página do primeiro caderno) ignora, olímpica, o desbaste efectuado nos quadros jornalisticos pelo ex-director ressabiado.

É triste que a mudança - ou evolução - se anuncie apenas sob a forma de cosmética.

Mas que mais restaria anunciar? O Expresso continua uma merda - ela agora está é mais compactazinha.

PS - A edição de hoje, aparentemente, esgotou. Enquanto continuarem a oferecer um DVD em cada edição é natural que a situação se mantenha. Os portugueses adoram pechinchas.

setembro 03, 2006

setembro 02, 2006

FÉRIAS



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Num terreno quase completamente virgem de referências visuais, quais as sensações que estas ilustrações medievais das Escrituras provocariam em quem as via pela primeira vez - as mesmas que a nós os filmes de Disney nos deixaram no subconsciente?



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Seriam os pesadelos povoados por estas estranhas criaturas?



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Seriam estas as penas que os pecadores sabiam por eles esperarem?



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E os perigos que esperavam os cavaleiros da fortuna no fundo das cavernas que lhes assaltavam o caminho - seriam assim?

agosto 29, 2006

INVITATION TO DANCE


Aceito companhia para uma escapada ao El Bulli no próximo ano. Aqui está uma descrição introdutória (quase) completa.

FÉRIAS



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O QUE SERIA DO AMARELO...


Em Matosinhos, enfermeiros de uma unidade hospitalar fazem greve porque não aceitam os novos uniformes - camisolas amarelas, justas e potencialmente perigosas para a saúde.


Os jogadores do Sporting podiam fazer o mesmo quando os quisessem obrigar a envergar o novo equipamento alternativo.

agosto 26, 2006

Ó MAR SALGADO


Portugal tenta obter junto da ONU autorização para alargar a sua plataforma marítima. O Secretário de Estado da tutela refere que Portugal deve obter mais riqueza do mar, recuperando o carácter marítimo que foi o seu no passado.

Mais riqueza do mar? Com a frota pesqueira quase completamente desmantelada?

Questões de semântica. O alvo é o fundo do mar e os minérios que o subsolo teoricamente encerra.

Não, Portugal não vai voltar a ser um país marítimo. Vai continuar a ser um país chão.

A OESTE NADA DE NOVO


O Líbano, palco da recente invasão israelita e da sequente guerra decorrida com o Hezbollah, agradece a disponibilidade europeia para participar no contingente da ONU a constituir para fiscalização e manutenção do cessar-fogo entretanto acordado.

A Síria, o PCP e o B loco de Esquerda estão contra.

agosto 25, 2006

PLUTÃO DESPROMOVIDO PARA OS PLANETAS DE 2ª

Is Pluto Really a Planet?

I was listening to NPR in the car on my way back from work. They were saying that the International Astronomical Union is meeting in Prague to discuss, among other things, if Pluto is too puny to be a planet. Apparently some genius suggested that it should be declassified as a planet due to its small status. Those who want to demote Pluto argue that it's smaller than the earth's moon and there are other objects past Neptune that are comparable in size to Pluto. Those who favor the status quo put forth valid arguments to call Pluto a planet. For instance, it has an atmosphere, it goes through seasons, and it has three moons. But what about us, the Pluto fans out there? Is anyone going to consult us? The ninth planet is a part of our understanding of what the solar system is all about. Are the scientists considering what would happen with the mnemonic device for remembering planet names: "My Very Educated Mother Just Served Us Nine Pizzas?" To add insult to injury, and even if Pluto doesn't get the ax, they are apparently recommending a new planetary classification. There were be 3 categories. Terrestrial planets (Mercury, Venus, Earth, Mars), Giant planets (Jupiter, Saturn, Uranus, Neptune) and a third class that would include Pluto. Guess what name they chose for the third category? Dwarf planets!Should Pluto be declassified as a planet? Hell no!

É um escândalo. É uma injustiça. Querem obter na secretaria o que não obteram junto da opinião pública.

Recorra-se ao Conselho de Justiça, ao Tribunal Constitucional, ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Nada nos deverá demover de repôr a verdade desportiva, ehr... astronómica. Barcelos, ehr... Plutão não é menos que os outros planetas do Sistema.

O LONGO BOCEJO


Quem se quiser dar ao trabalho de descobrir a História deste país não tardará em encontrar a mesma incompetência, o mesmo provincianismo, os mesmos oportunismos compensadores, a mesma quase completa incapacidade de planeamento a médio e longo prazo, a mesma inveja que, a par da manifesta falta de capacidade de arriscar, quase tudo impede de crescer, os mesmos erros, a mesma arrogância, tudo, tudo, tudo que assola o dia-a-dia contemporâneo.

Adolescentes, nós? Ainda nem à infância chegámos, somos um nado-morto indesejado a quem um ignoto clínico teimosamente nega o desligar dos sistemas artificiais de apoio de vida.

agosto 17, 2006

MARIA DO CARMO VIEIRA
MARIA DO CARMO VIEIRA
MARIA DO CARMO VIEIRA
MARIA DO CARMO VIEIRA
MARIA DO CARMO VIEIRA
MARIA DO CARMO VIEIRA
As palavras e a postura desta senhora perante a língua portuguesa e o seu magistério que é a sua paixão, a sua VIDA, tão vibrantemente expostas ainda agora no Jornal das 9 da SIC-Notícias, fizeram-me sair do mutismo das últimas semanas para deixar aqui o seu nome e a minha profunda admiração pelo modo como reage às imbecilidades que, vertidas em programação oficial, o meu país pretende (e consegue) ver ensinado aos cidadãos de amanhã.
Se tivesse um colégio, já lhe tinha telefonado a oferecer o lugar de directora; como não tenho, apenas me resta desejar que a actual ministra decida fazer dela um exemplo a seguir.
Que pena não ter sido minha professora de português.

junho 29, 2006

ELE HÁ MOCAS


O presidente em simultâneo da Câmara de Viseu e da Associação Nacional de Municípios, recomendou aos seus munícipes, numa sessão pública, o uso das pedras como dissuasor dos actos oficiais dos fiscais do Ministério do Ambiente que lhes estejam a embargar as obras.

"Corram-nos à pedrada!" disse o muito claro Fernando Ruas, numa clara tentativa de substituir o desbocado Jardim como bobo da República.

"Falei figurativamente!" disse o já mais esquivo Ruas no dia seguinte, sucumbindo à portuguesa tentação de dar o dito por não dito, neste país de águas turvas e de declarações verdadeiras num dia e erradas no dia seguinte, "um treinador de futebol também fala de mata-mata e não quer matar ninguém".

Ora aí está. Nada como uns pontapés na lei e na ordem para contentar o povinho manhoso, habituado a ignorar a lei quando se trata de obras privadas e de acordo com o bem-estar pessoal.
Pois deixe-me dizer-lhe senhor Ruas-de-amargura que declarações como as que fez, incitando à desobediência pública e desrespeitando os representantes do Estado, na boca de um representante desse mesmo Estado eleito em sufrágio popular são mesmo de um rematado filho da puta. Isto falando figurativamente, claro.

junho 27, 2006

JOY IN THE WORK


Espero que este texto que recebi por mail tenha sido mesmo escrito e distribuído numa multinacional a laborar em Portugal. Não é todos os dias que se vai assim tão longe na disponibilização de uns momentos de boa disposição aos funcionários. Quanto a mim, desde o video da campanha de Manuel Maria Carrilho que não me divertia tanto com o resultado incorrecto saído do uso de tantas expressões correctas...

Circular Interna (verídica) de uma multinacional americana em Portugal (no Porto), contra a linguagem dos trabalhadores do Norte.
"It has been brought to our attention by several officials visiting our corporate Headquarters that offensive language is commonly used by our Portuguese-speaking staff. Such behavior, in addition to violating our Policy, is highly unprofessional and offensive to both visitors and colleagues. In order to avoid such situations please note that all Staff is kindly requested to IMMEDIATELY adhere to the following rules:
1) Words like merda, caralho, foda-se, porra or puta-que-o-pariu and other such expressions will not be used for emphasis, no matter how heated the discussion.
2) You will not say cagada when someone makes a mistake, or ganda-merda if you see somebody either being reprimanded or making a mistake, or que-grande-cagada when a major mistake has been made. All forms derivate from the verb cagar are inappropriate in our environment.
3) No project manager, section head, or executive, under no circumstances, will be referred to as filho-da-puta, cabrão, ó-grande-come-merda, or vaca-gorda-da-puta-que-a-pariu.
4) Lack of determination will not be referred to as falta-de-colhões or coisa-de-maricas and neither will persons who lack initiative as picha-mole, corno, or mariconso
5) Unusual or creative ideas from your superiors are not to be referred to as punheta-mental.
6) Do not say esse-cabrão-enche-a-porra-do-juízo if a person is persistent. When a task is heavy to achieve remember that you must not say é uma-foda. In a similar way, do not use esse-gajo-está-fodido if colleague is going through a difficult situation. Furthermore, you must not say que-putedo when matters become complicated.
7) When asking someone to leave you alone, you must not say vai-à-merda. Do not ever substitute "May I help you" with que-porra-é-que-tu-queres?? When things get tough, an acceptable statement such as "we are going through a difficult time" should be used, rather than isto-está-tudo-fodido.
8) No salary increase shall ever be referred to as aumento-dum-cabrão.
9) Last but not least after reading this memo please do not say mete-o-no-cu. Just keep it clean and dispose of it properly. We hope you will keep these directions in mind.
Thank you.

junho 26, 2006

OH SIM, OS PRAZERES

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Lugares de culto hedonista por excelência. Lugares onde a dimensão do túmulo acentua o esquecimento da morte (quem conhece, cem anos depois, o maduro que investiu milhões no vão monumento à sua imortalização?).


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(Quem foi o Ernesto de Seixas?)

Se há lugares onde um nome foi bem escolhido, este ultrapassa-os. É um prazer ver tão tolas ambições deitadas por terra pelo pó dos anos


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(Quem foi a Virginia O'Donnel?)

É um prazer descobrir tipos tão demonstrativos de uma época.


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(Quem foram os Carvalho Monteiro?)

É um prazer descobrir imaginações delirantes na utilização dos cânones arquitectónicos de casas para vivos em lugares de depósitos de mortos.


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É um prazer passear debaixo da sombra e do cheiro dos jacarandás.

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Encontrar vasos rituais que um ser mais iconoclasta confundiria com penicos.

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Saber que há tontos homens que pensam comprar o silêncio da morte. Bah.

junho 15, 2006


"Vão ter com os Estados a saber quem dá mais e vão ter com os trabalhadores a saber quem recebe menos", diz Jerónimo de Sousa, a propósito das deslocalizações das fábricas de empresas multinacionais.

Mas não foi assim que Portugal conseguiu a Auto-Europa?

LISBOA, PÓS-ANTÓNIO



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Lisboa, manhã adormecida do dia de S. António, na ressaca da festa nocturna. Em Alfama, as brigadas de limpeza da CML já estavam em acção. Na Graça, dormia-se em sossego.

LISBOA BOA



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Não tenho a certeza disso, mas vale pela declaração de amor.

junho 01, 2006

SIM, SIM...


Só mesmo quem nunca passou pela Função Pública é que pode achar que, pelo facto de passar a haver menos funcionários, a produtividade vai aumentar.

É que é já a seguir.

MOBILIDADE ESPACIAL


Perante a nova iniciativa governamental de criar a figura de "Mobilidade Especial" para os fujncionários públicos considerados excedentários, o ministro das Finanças não considera que esta seja um "convite descarado aos funcionários para saírem da Função Pública".

Se se confirmar que passarão a ter um vencimento equivalente a 87% do seu salário base e a possibilidade de, ao fim de 1 ano, acumularem com um segundo emprego, eu acho que é um convite descarado a que ninguém se vá embora.

BABY FLOP


A taxa de natalidade em Portugal continua a decrescer. Em 2005 foi a mais baixa dos últimos 11 anos.

Há uns meses, comentava entre amigos que uma das múltiplas razões que contribuiam para este facto era a falta de uma política de apoio à família. Expressões de espanto e contestação imediata de dois dos presentes - por coincidência secretários de Estado deste Governo - que não entendiam "o que é que a família tem a ver com o ter filhos".

I wonder.

maio 30, 2006

DESCULPAS


Desde ontem que as palavras do Papa proferidas em Auschwitz me martelam o subconsciente.

Merecedora de uma reflexão longa, a frase "onde estava Deus em Auschwitz" perturba-me.

Perturba-me que seja um jovem "obrigado" a alistar-se nas juventudes hitlerianas a dizê-lo sessenta anos depois.

Perturba-me que um Papa reproduza, adaptadas, as últimas palavras de Cristo na cruz (Pau, Pai, porque me abandonaste?"). Como se só coubesse a Deus impedir a barbárie, o Deus cristão que deu ao homem a liberdade de agir para o bem e para o mal. O Deus de uma Igreja que, no mínimo, se calou na altura, sabendo como teria obrigatoriamente de saber (havia padres católicos na Alemanha nazi, seria impossível nenhum ter conhecimento do que se passava, nenhum ter assistido às noites de cristal, às deportações, aos desaparecimentos, nenhum ter ouvido pelo menos rumores alusivos à "solução final").

Perturba-me que o antigo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (uma forma politicamente correcta de designar a Santa Inquisição) tão lesto a condenar e a ameaçar de excomunhão quaisquer tentativas de "esquerdizar" a palavra de Cristo (veja-se o que se passou com os padres agregados sob a "Teologia da Libertação") se mostre agora tão impotente perante os autores e tão desculpabilizante de um povo que, cordeiramente, aceitou (e apoiou e colaborou) tamanha inumanidade.

Este é um texto mal-estruturado. Mas desde ontem que ando incomodado. E tinha de o discutir.

FOR SALE


Este país já morreu mas, aparentemente, somos um povo com graves problemas de olfacto pois ainda não demos pelo mau-cheiro.

Não seria melhor vendê-lo já por um euro simbólico na condição do comprador se comprometer a eliminar o passivo? Aceitam-se rescisões de contrato e alterações da estratégia empresarial.

Centrais nucleares e reflorestamentos maciços com eucaliptos só depois da oferta de um bilhete de ida para a Nova Zelândia para toda a população.

SALOIADAS


Os agricultores queixam-se de o Governo ter alterado as regras a meio do jogo, recusando-se a pagar este ano os subsídios contratados pelo Estado o ano passado.

They should know better. Não é só no Ministério da Agricultura que essa é a prática corrente. Muitas das Câmaras Municipais são useiras e vezeiras nessa esperteza saloia que é encomendar projectos e depois de os ter em construção, declarar que não é bem isso que era pretendido. E os projectistas que alterem porque, enquanto os serviços não estiverem satisfeitos, não há pagamentos para ninguém.

BUÉ DA FISH


Peixe crú. Comam peixe crú.

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DAS VINÁCIAS


A União Europeia quer proibir a plantação de novas vinhas. Em nome da qualidade e da concorrência.

Pensei que era só a Associação Nacional de Farmácias que tinha destas ideias.

WYSTERIA LANE


Luís Figo promete que Évora será a primeira cidade onde a selecção virá mostrar a taça, caso ganhe o Campeonato do Mundo de Futebol.

Mas o que é que andam a dar de beber a esta gente?

maio 29, 2006

CULINÁRIA DE LISBOA, #4 – CANJA DE GALINHA SALOIA


Panaceia lisboetamente universal para a recuperação de qualquer acamado, este caldo encontra-se praticamente em vias de extinção na sua forma original face ao progressivo desaparecimento da matéria-prima essencial: uma galinha “caseira”, criada com amor e engordada com esmero.


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Não faltariam na Lisboa secular - na Lisboa de saguões onde raparigas da terra trazidas a servir se deixavam engraçar por marçanos afilhados subindo a hierarquia laboral à custa de muito transportar calçadas e escadas acima as compras de entediadas freguesas, na Lisboa de logradouros feitos quintais de porteiras enjauladas em cubículos insalubres, na Lisboa de recantos roubados a traseiras escondidas – em capoeiras improvisadas onde, entre “cócós” e pedrezes, capões e galarós, poedeiras e pintadas, cresciam e sobravam dignos exemplares para despertar a gula ou anular o fastio de cada um, conforme a ocasião.

Lisboa estava cheia de “criação”.

(E repare-se como os diversos significados do termo evoluíram em conjunto: dizia-se de quem se sabia comportar socialmente que era educado, que tinha maneiras, que era bem-criado (provavelmente pelas canjinhas que a velha criada ou a avó ou a mãezinha tinham preparado na infância ou adolescência, prolongadas por certo, pela mão consciente da esposa burguesa); hoje em dia, queixam-se os mais velhos – perante as ignorâncias da mocidade, os atropelos dos novos-ricos, o desleixo de meio-mundo – de que isto é um país de mal-criados. Pois mal-criados seremos, se nem já criação há em número suficiente para encher de produtos legítimos a mesa de todos nós.)

E a que chave haveria de recorrer o José Maria oitocentista, lisboeta de adopção, para abrir um entediado e cosmopolita Jacinto às delícias do sentir português, senão à inevitável canja?:

“(...) era de galinha e rescendia. Provou e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam, surpreendidos. Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, um espanto – Está bom!

Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes, fervorosamente, ataquei aquele caldo.

- Também lá volto! – exclamava Jacinto, com uma convicção imensa. – É que estou cá com uma fome... Santo Deus! Há anos que não sinto esta fome.

Foi ele que rapou avidamente a sopeira
.(...)”
[in A Cidade e as Serras, José Maria Eça de Queiroz,]

“Canja” era, em similitude com o prato, tudo o que se fazia depressa e bem. Hoje em dia, nada parece ser “canja” neste Portugal que começou a entristecer nas palavras dum outro lisboeta órfão de sopas caseiras e não pára de se desconsolar. De nos desconsolar.

Perante umas serras desertas e uma cidade que de noite desaparece...


1 galinha gorda com miúdos – 1 cebola – salsa – 2l de água – arroz agulha, q.b.

Colocar a galinha na água salgada fria (de modo a que permitir que se desprenda da ave a maior quantidade possível de gordura e sucos) juntamente com a cebola e a salsa. Salgar (pouco! A saúde agradece). Cozer em lume brando, gentilmente, até a carne estar tenra e se desprender dos ossos (atenção aos frangos de aviário: ao fim de uma mão-vazia de minutos já o corpo ameaça desagregação, não constituindo sinal de canja rica. Aliás, ao usar frangos de aviário deve ter-se presente a menor valia que os mesmos oferecem).

Entretanto, cozer o arroz na proporção de 1-4. Deixar ligeiramente al dente e lavar em abundante água de modo a ficar bem solto.

Servir a canja com o arroz, a galinha desfiada e um esguicho de limão.

Duas ou três folhas de hortelã serão bem vindas por quem delas gostar.

NOTA: Pode-se estranhar a cozedura, à parte, do arroz. Preciosismo de quem precisa de mais de uma sessão para processar todo o caldo: se reaquecido, o arroz ultrapassa o ponto de cozedura e transforma-se numa pré-papa desagradável. Acrescentado frio ao caldo fumegante reaquecido não perde qualidades.

PAIXÕES VIOLENTAS


E, finalmente, um glorioso site sobre gloriosa degustação:


maio 24, 2006

GRAÇA RATTON



Na Galeria Ratton, junto à rua do Século, nova exposição de Graça Morais. Aver, evidentemente, com delícia.

maio 22, 2006

CONSPIRADOS DESTE MUNDO, ESCREVEI-VOS!


O autor deste blog anuncia para breve a publicação do livro onde desmascará a conspiração jornalística que impediu a conquista de quaisquer galardões nos últimos blogawards..

Talvez assim o Prós e Contras da próxima semana seja dedicado ao Planeta Reboque.

maio 21, 2006

CULINÁRIA DE LISBOA, #3 – SOPA RICA DE PURÉ DE PEIXE


Caldeiradas, há-as em cada porto deste mundo. Variam as espécies, variam os condimentos – varia consequentemente o sabor – mas a essência mantém-se, um guisado de peixes diversos, disponíveis e economicamente acessíveis a um estrato menos favorecido da população como sempre foram os trabalhadores marítimos e agregados familiares.

Poderá a sopa de peixe ser uma variação desta caldeirada (já a hipótese de reciclagem de sobras me parece menos plausível dado o carácter paupérrimo das mesas de pescadores) ou antes um evoluir erudito de mesa burguesa do tratamento popular?


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Deixemos o passado a quem se questionar sobre ele. Como Janus, a sopa de peixe aparece no presente com uma das suas duas faces – seja como estrela de mérito próprio em restaurantes “regionais”, seja como o corolário de não sei quantos jantares de peixe sobredimensionados. Confessemos a desilusão que a maior parte das experiências restaurativas traz: a sopa servida é uma água chilra onde bóiam, envergonhados, pequenos pedaços de peixe nos quais subsistem – provavelmente para provar a genuinidade do produto –espinhas e pele originais. Já uma sopa de peixe caseira... daquelas esmeradas ao ponto de nelas uma colher de pau sobreviver em pé... porque é que nenhum dos meus amigos especialistas na mesma me oferece uma num terraço face ao mar, ao fim de um dia de Verão e com a companhia certa?

Para 10 pessoas:

4 kg de peixe – o que houver, coleccionem-se as sobras de outros manjares ou comprem-se frescos, pescada, congro, pargo, ruivo, garoupa, dourada, peixe-galo ou outras espécies de carne dura; 1kg de tomate (ou 400 gr de puré), 3,5 l de água, 3 dl de vinho branco, 2 dl de vinho do Porto seco, 60 gr de cenouras, 60 gr de cebolas, 2 dl de azeite, 500 gr de camarão, 2 kg de mexilhão.

O Caldo. Cozer em água (colocar em água fria) os peixes em postas e cabeças abertas ao meio, com o vinho, cenouras, um quarto das cebolas, sal, um raminho de tomilho e 1 cravo de cabecinha, durante duas horas.

O 2º Caldo. Cozer o camarão em 0,5 l de água durante 3 minutos. Pisa num almofariz as cascas e cabeças e cozer na mesma água durante mais 15 minutos. Coar e reservar.

O Marisco. Abrir os mexilhões no calor (colocar numa panela e aquecer). Retirar das cascas os que estiverem abertos, reservar os maiores e reduzir a puré os restantes. Descartar os que mantiveram as conchas fechadas. Decantar a água da cozedura e ferver com o vinho do Porto durante 20 minutos.

A Base. Refogar a cebola restante, tomate e salsa, tudo picado. Reduzir a puré depois de pronto.

O Substrato. Retirar peles e espinhas ao peixe e reduzir igualmente a puré, juntamente com as cenouras e cebola.

A Preparação Final. Juntar numa panela as águas das diferentes cozeduras e os purés. Ao começar a ferver, acrescentar os mexilhões e camarões e retira-se do forno.

Serve-se com fatias de pão tostadas com manteiga.

maio 19, 2006

PRÉMIO JÁ QUE NÃO TEMOS UM CASINO...


"É uma vitória do desenvolvimento económico do país(...)" comenta o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, um bimbo no meio dos milhares de bimbos que quiseram visitar primeiro que os outros a nova loja do El Corte Inglês em Gaia.

Esqueceu-se de dizer qual o país.

maio 17, 2006

CULINÁRIA DE LISBOA, #2 – SOPA DE CAMARÃO

Sempre viveu de hierarquias sociais, este crustáceo bigodudo, tendo em cada burguesinha dona-de-casa de formação culinária tradicional (“quanto mais pequenos mais saborosos!...”) e em cada rotundo amante de mariscadas (“quanto maiores melhor!!!”) os extremados representantes da espécie consumidora.


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Da invenção das máquinas de frio foi o seu consumo um dos principais beneficiados, com a multiplicação de cervejarias e a necessidade (óbvia num país de pesca) de fornecimento de um acompanhamento leve para o líquido vendido.

Já esta sopa parece nascer como um subproduto originado nas sobras de cascas e cabeças. Se ao corpo degustado nas mais variadas preparações correspondia uma existência de invólucros, enriquecida com o sabor concentrado das cabeças alguém terá pensado e melhor feito em recolher tais dádivas numa preparação muito simples e, de certa maneira, económica.

Terá sido uma varina nas noites longas em que o seu pescador andava na faina? Um velho marujo habituado às sopas de peixe e sem outra matéria-prima que não estas sobras para a recriar?

Sendo hoje figura habitual em mesas ricas, renomeada em francês (“consomée”) e acompanhada de aditivos nobres ou cosmopolitas (como o são o vinho do Porto ou as natas), este é a Amália dos caldos, subindo pelo seu talento a íngreme escala social, das vielas de um bairro popular aos salões aristocráticos deste mundo. Que cumpra então esse fado até ao fim – até os mares permitirem a procriação das criaturinhas – e saiba ser visita de privilegiados e menos afortunados, já que, como ao fado, saboreá-la é não mais a esquecer.

Tem a beleza das coisas simples, a preparação desta sopa, e resume-se em três passos: cozer o camarões, preparar um caldo a partir do sabor de cascas e cabeças, engrossar a sopa.

Veja-se então:

1. Os camarões - 750 gr – depois de bem lavados, são cozidos durante 2 a 3 minutos em 0,5 l de água com sal, reservando-se. Depois de arrefecerem, descascam-se.

2. Refogam-se – 2 cebolas e 2 dentes de alho – num fundo de azeite ao qual se juntam as cascas e cabeças, deixando-se apurar. Acrescenta-se – 1,5 l de água – e deixa-se ferver durante 30 minutos. Leva-se ao passe-vite para extrair o máximo de líquido possível o qual se junta à água da cozedura.

3. Numa frigideira, em lume brando e com atenção indispensável, torram-se - duas colheres de sopa de farinha – até atingirem um tom castanho médio. Ao caldo de cozedura e ao líquido da prensagem junta-se a farinha diluída numa pouca de água, mexendo para evitar grumos. Dois minutos depois, junta-se o camarão.

A sopa pode dar-se por concluída caso o colesterol ou outra das deficiências da moda aconselhem prudência e pouco mais que caldos de galinha. No entanto, a variante rica é uma guloseima que merece – pelo menos uma vez! – a capitulação ao pecado da gula: acrescentem-se duas gemas misturadas com um pouco do caldo, mexendo sem parar para não cozerem em pedaços, 1 cálice de vinho do Porto e 1 colher de manteiga.

Servir acompanhado de croutons (versão globalizante) ou quadradinhos de pão fritos em azeite. Ainda que aceitável pelo sabor e pela melhoria dietética, o pão torrado tem a desvantagem de se desfazer rapidamente no líquido, desvirtuando o carácter crocante que se desejava obter.

maio 12, 2006

CLASSIFICADOS



Um amigo chegado obrigou-me a abrir esta rubrica de correio sentimental:

Rapaz com as qualidades do costume, um bocadinho passado pelo tempo e com a mania que já perdeu o comboio, procura companhia feminina para conversas múltiplas or whatever.

Este belogue oferece a sua caixa de correio para mediação.

maio 10, 2006

CULINÁRIA DE LISBOA - #1, CALDO VERDE





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Pronto, a polémica vai começar. O caldo verde, um prato essencialmente alfacinha? Disparate!...

Sim, era uma vez um camponês minhoto labutador de um ignoto minifúndio das profundezas do portucalense condado que teve a brilhante ideia de migar as folhas da couve acabadinha de retirar à terra (a que, muitos anos mais tarde, outro ignota figura terá dedicado todo o seu amor pátrio, crismando-a para todo o sempre, de portuguesa) antes de as acrescentar ao humilde caldo que borbulhava na panela, criando assim a sopa mais portuguesa de Portugal... (Hum, não, não pega a história, as batatas só chegaram com as notícias do Novo Mundo, couve com puré de castanha...? Ademais quem nos garante que o camponês não seria transmontano ou beirão ou ribatejano ou mesmo galego essa espécie última de português desterrado desde sempre para um país que não é o seu?)

Sendo tarefa impossível e irrelevante a fixação temporal e local das origens deste caldo, não tenho dúvidas em colocá-la no topo da lista das sopas de Lisboa. Como não a colocar? Pois se junta as batatas das Descobertas de que Lisboa foi o centro mercantil às couves das hortas alfacinhas, ligando-as numa untuosa composição que é um deleite para os sentidos, se acolhe como acompanhantes o azeite virgem dos olivais do interior, os enchidos que se fazem de Norte a Sul e a broa do milho nortenho evocando assim os homens e mulheres que demandaram a capital em busca de uma vida mais segura, se busca como leito ideal as malgas de barro, resquícios anacrónicos de um tempo menos cosmopolita e tão mais ligado à terra...

Será pela sua composição um caldo de Inverno, uma fortaleza segura para preparar os corpos para o desconforto da época. Para alguns comensais, atafulhado de pão torna-se evocação e substituto de uma açorda natal. É, no entanto, próprio para todo o ano. Que melhor prenúncio para as sardinhadas estivais?

Relatavam os seus contemporâneos que o caldo verde era a sopa favorita de Fernando Pessoa. Habituados que fomos à anedota do flagrante delitro, causar-nos-à uma certa estranheza esta incursão do poeta fingidor pelo verde em detrimento do tinto. E no entanto... não é de certo modo plausível imaginá-lo, meditando o Quinto Império, debruçado, anónimo e silencioso, sobre um fumegante prato de caldo? O Café “Beira-Mar” , na esquina do Rossio com a Praça D. João da Câmara, há muito desaparecido, era o ponto de referência para os amadores deste prato. Outros tempos e não seria difícil encontrarmos o poeta e seus heterónimos em fila ordeira, à porta, à espera de uma mesa para quatro. Ou Bernardo Soares, desassossegado ao balcão, enquanto tardava a terceira dose da sopa de todos os dias...

Na Lisboa moderna, apesar da sua constituição própria para resistir a todas as agressões, o caldo verde vem sendo maltratado por muitos restaurantezinhos, desregrados herdeiros das genuínas tascas proibidas por decreto europeizante. Rarefeito de batatas, um caldo ralo onde bóiam desengraçados meia-dúzia de fios de um verde pálido indicadores de uma cozedura demorada (quando o que se exige é uma escaldura breve para manter o rijo da couve e a beleza do verde) o caldo verde industrial é bem a imagem da incompetência culinária de que padece quem ao mister se dedica por falta de outra janela de negócio. Não me espantaria vê-lo feito sopa de pacote ou massa de caldo liofilizado. Destas malhas, o Império não teceu.

E vamos ao que interessa: os meios e os modos.

Em primeiro lugar o caldo. Exigência única – não se poupem as batatas, adoptando-se como critério inicial cerca de 250 gramas por cada litro de água. Leve-se então o conjunto ao lume, após o descasque prévio das mesmas, com uma mão-cheia de sal grosso. Após cozedura, com o passe-vite ou usando a varinha mágica (e aqui, do abandono dessa masoquista forma de fazer puré não se ressente o prato), desfaçam-se então as batatas.

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Chega então o tempo da couve. Há uma diferença substancial de largura de fio de couve entre o corte feito à mão e o corte de máquina, corte hoje em dia feita em desconhecidas fabriquetas fornecedoras de hipermercados, mas no passado em máquinas presentes bem à vista dos clientes em todas as bancas de legumes nos antigos mercados da capital (as populares "Jocas", veja-se a foto), prova da popularidade deste caldo à mesa dos alfacinhas. O caldo verde é feito de couve cortada muito fina, perdendo o seu carácter único se for usada couve segada cortada em casa mesmo se com o facalhão mais afiado da cozinha. Compre-se pois couve já preparada para o caldo (correntemente denominado, tomando a parte pelo todo, “caldo verde”) e acrescente-se a mesma, após intensas lavagens, ao caldo anterior a ferver em cachão. Espere-se dois a três minutos, no máximo, mantendo a panela destapada e retire-se do lume. Só então se acrescentará 1 dl de azeite por litro de água empregue no início. Mexa-se bem. Espere-se uns minutos que se aproveitam para organizar as fatias de broa e do enchido que serão o contraponto a uma experiência inesquecível. Sirva-se então, em malgas de barro compradas na excursão anual à Feira da Luz ou em incursões às feiras espalhadas pelo país que ainda sobrevivem à globalização e aos plásticos chineses.

NÁ..


Curiosamente, o filho do fundador da empresa de investimentos filatélicos agora investigada pelas autoridades espanholas sob suspeita de um esquema piramidal de proporções milionárias tem o mesmo apelido do fundador da Opus Dei.

Hum.

Ná...

CULINÁRIA DE LISBOA - #INTRO

(Em co-publicação com a Alta de Lisboa, inicia-se aqui uma nova série dedicada – como se percebe pelo título – à culinária de Lisboa.)

Capital feita de imigrações desde que o desígnio dos homens face à segurança do espaço e à riqueza da terra a transformou em centralidade de uma região primeiro e de um país depois, Lisboa soube criar uma tradição culinária que, radicando a sua origem e inspiração nos berços da população imigrante, a soube transformar e evoluir, dando-lhe algo de seu, deste sentir de pôres-do-sol junto ao rio, de hortas nos limites das ruas, de colinas pontuadas de limoeiros e nespereiras, da varandas perfumadas com potes de aromáticas ervas, de gentes cosmopolitas mas nostálgicas do torrão natal, de marinheiros saudosos de terra firme e poetas ansiando por portos distantes.


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A culinária lisboeta é, na sua esmagadora maioria, uma culinária caseira, uma lembrança dos manjares de meninice e das guloseimas maduras dos jantares familiares. Ao contrário de capitais mais ricas, não buscou nem o brilho de palácios nem o fausto de restaurantes dispendiosos de industriais bem-sucedidos. Soube dosear a riqueza que as redes dos pescadores lhe deixava à beira-rio com a diversidade de legumes que a generosidade dos vales envolventes permitia. Descobriu a magia dos refogados; aproveitou os ensinamentos sobre ervas e especiarias que conterrâneos e exploradores lhe ensinaram. Finalmente, soube não esquecer o legado da miríade de conventos que a sua gula alimentou durante séculos.
De tudo isto se fez uma cozinha que, não sendo regional, é a de uma região onde se concentra cerca de 30% da população portuguesa. E onde, com toda a certeza, novos e velhos, migrantes ou alfacinhas de gema, se reconhecem. Em si contém um bocadinho da origem de cada um. E sendo assim, a cada um pertence também. A nós e ao outro que também é nós.

maio 08, 2006

UM TIRO NO PORTA-AVIÕES


Dantes, quando levava com os pés de uma rapariga, ficava deprimido pela rejeição. Hoje em dia, é a sensação de proximidade do fim que essa rejeição provoca e é ela que me deixa em baixo.

maio 04, 2006

LUA


José António Saraiva, ex-director do Espesso e colunista político que raramente tinha dúvidas mas muito se enganava, apresentou ontem à comunicação social e centrais de publicidade o projecto de um novo semanário.

Com nome de detergente e um inconfessado complexo de Édipo (cobiçando a mãe Fama&Fortuna ao pai Balsemão), o Sol apresenta na estrutura accionista, na direcção, nos quadros redactoriais, uma ampla e esmagadora maioria de antigos funcionários do jornal de referência dos fins-de-semana.

O que me causa perplexidade é ninguém se ter preocupado com a seguinte questão: se Saraiva foi varrido para uma prateleira superior no seu antigo jornal face às visíveis quebra de audiência e esgotamento de formato e conteúdos que o mesmo apresentava, quem é que no seu perfeito juízo acreditará ao ponto de investimento que um projecto feito pelas mesmas pessoas, com as mesmas ideias e as mesmas soluções obterá um resultado diferente? Não faz Semanários ou Independentes quem quer e muito menos quem por eles foi derrotado nos primeiros anos...

(Claro que se pode ler a história ao contrário: o Expresso ainda cá está e os outros dois estiolaram. Mas nem assim a comparação se torna favorável para a futura Nuvem...)

maio 01, 2006

ser
grunho
é
uma
benção
de
deus

1 DE MAIO


Ainda não se endividaram hoje? Vá lá, façam um esforço!

abril 27, 2006

WE FEW WE HAPPY FEW


Olivier ou Branagh? Não me consigo decidir.

abril 26, 2006

O PÓS 25 DE ABRIL


Se tivesse de optar entre os palermas de cravo ao peito e os não menos palermas que lhes chamam "cravas" concerteza que me poria do lado dos primeiros.

abril 24, 2006

GROWING PAINS

Para descobrir o Norte, basta procurar o lado para onde cresce o musgo.



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Se ao menos eu soubesse com que é que o musgo se parece.

abril 22, 2006

FUTEBOL CLUBE MURCÕES


Uma cavalgada de grunhos com os relógios adiantados invade o campo do Penafiel um minuto antes do fim do jogo e despe metade dos jogadores do seu clube.


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Que pena isto não ter acontecido há dois anos, a tempo do Euro2004. Valia mais pela divulgação do país que mil anúncios delicodoces do defunto ICEP.

abril 20, 2006

REABILITAÇÃO URBANA

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YAWN


Amanhã é sexta e depois fim-de-semana.

E depois segunda e logo a seguir feriado o que é o mesmo que ser outra vez domingo.

E depois segunda outra vez e logo a seguir Maio.

E são logo as férias e depois um Agosto a morrer langoroso. E Setembro e um novo ano prós putos. E mais segundas e domingos e meios da semana e fins-de-semana. E mais uma passagem de ano e mais férias e carnavais, páscoas, segundas, terças, quartas e sábados à noite e domingos aborrecidos.

E ainda um outro ano e mais outro e ainda outro.

E eu sem dar por isso e a ver o tempo lá atrás, passado, aborrecido, uniforme nas memórias e na realidade.

abril 19, 2006

PLETNEV : GULBENKIAN


Magnífico concerto, mágico intérprete.

Mas a melhor peça foi a sonata para embrulho de rebuçado e mãos desajeitadas interpretada por uma autista senhora da audência sentada no palco.

(Sim, a crise económica da Gulbenkian já chega a isto: bilhetes extra para o palco para cobrir o défice. Eu, que tive o privilégio de poder aquelas mãos em acção a menos de 10 metros, só posso dizer: que continue a crise!)

abril 13, 2006

PAPEIS


Dos deputados faltosos (ver post anterior), cinco pertencem ao CDS/PP. Achando as ausências naturais, o presidente do grupo parlamentar do partido, justificou-as: um estava ausente em representação da Assembleia, fulano foi pai, sicrano, por coincidência, também ...

assustei-me

por um momento, julguei que ia dizer que os outros dois tinham sido mães.

VERGONHA, AUTISMO, VERGONHA


Ontem, 116 deputados ausentaram-se da Assembleia da República, invalidando, por falta de quorum, as votações agendadas.

Destes, cerca de 80 tinham assinado o ponto ao princípio da tarde.

abril 12, 2006

NOTÍCIAS DE ITÁLIA


Em Itália, um mafioso foi preso depois de 42 anos de fuga à justiça.

Em Itália, um outro mafioso recusa-se a largar a prisão do poder, após 5 anos de brincadeira com a justiça.

RÖSSEL

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(casa onde cresceu a minha avó; Coswig, arredores de Dresden)

Terão sobrevivido à guerra? Existirão ainda, ignorantes do ramo português que ainda perdura? Mistério tão grande como todas as perguntas que a guerra deixou sem resposta, é saber a história do meu lado alemão, antes e depois da minha avó.

E não será esta ainda incipiente rede que mo revelerá. No entanto...

ICH SUCHE IHNEN RÖSSEL FRAUEN UND MÄNNER VON DRESDEN

(é só isto que o meu alemão alcança - talvez o Lutz passe por aqui e mo corrija acertadamente)


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Bazar: vontade enorme de deixar isto para trás e alugar uma casa de praia anónima numa praia desconhecida. É também o nome de todos os sítios onde nos perdemos literalmente por amor a um cheiro, a uma côr, a um estado de espírito.

EM LOUVOR DA MULA ELECTRÓNICA


Exhibit 1: Caixa com três CDs de Charlie Parker; 48 euros.

Exhibit 2: Joystick para Playstation em ouro e diamantes, encomendada por rapper sem mais ideias para deitar dinheiro pela janela; 150 mil dolares.

I rest my case.

abril 07, 2006

AVÓS



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Não há grandes personagens na vida; é a gente comum que transporta consigo o material de que são feitas as grandes histórias.

A minha avó materna era tão comum que, passados dez anos sobre a sua morte, poucos dela se lembram. Restam, para além das memórias familiares dos que lhe sobreviveram, breves minutos num filme resgatado ao esquecimento pela ressurreição dos DVDs, alguns cartazes num empoeirado canto do Museu do Teatro. E fotografias, esparsas fotografias escapadas à tarde de cristal em que sucumbiu o recheio da casa que sobrou das partilhas.

Não sei se a vida da minha avó dava um filme (talvez um filme indiano, diria o perfeito animal) mas sei que as inúmeras voltas que insistiu em marcar na sua existência, dão para muitas horas de deslumbrado ouvir.

E, para mais não servisse, serviria para me fazer aprender que, por mais justas e certas que achemos as nossas decisões, correremos sempre o risco de as ver criticadas por quem por elas foi afectado.

abril 05, 2006

ESCRITO NA AREIA

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PEQUENO CANTINHO DA INUTILIDADE


1. Se o Barcelona é a melhor equipa de futebol do mundo, coitado do mundo...

2. Pronto. O Orelhas tá com elas murchas.

NOTA FINAL - Como se vê se num jogo de futebol uma das equipas é portuguesa? Quando, no momento em que o guarda-redes adversário marca pontapé de baliza, se ouve o coro bem orquestrado "filhooooo-da-puta!!!"

BARCELOSOS


O museu do FCBarcelona é o terceiro mais visto de Espanha, a seguir aos museus do Prado e Guggenheim.

Numa cidade onde moram, entre outros, o museu Picasso, a Fundacion Miró e a Fundació Tàpies, ser o museu de um clube de futebol o espaço museológico mais procurado diz-nos muito sobre o seu povo. Diz-nos, por exemplo, que é considerado ser-se mais nacionalista gostar do clube de futebol da terra do que apreciar Picasso.

PRIMACHUVA




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Estavam já as rotativas em acção para o post de hoje quando a chuva torrencial desta manhã o desactualizou.

Porque é que a palavra "curado" se nos chega quando deixamos de amar alguém?

abril 04, 2006

"TODOS OS ESFORÇOS ESTÃO A SER FEITOS PARA ELIMINAR A EPIDEMIA"




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... diz o ministro e eu acredito. Porque não haveria de acreditar, conhecendo a terra e os homens e tendo estas imagens como prova?

No entanto, algo me diz que esta profilaxia não será mostrada à delegação que se apresta a visitar o país irmão, carregada de euros e perspectivas de negócios...

(NOTA: As imagens são verdadeiras e tiradas in situ. Como noutros tempos, não acredito que fizessem muito pela saúde do autor se descobertas antes de tempo. Felizmente que há a santa internet e a maior parte da gente anda mais interessada em fazer pela vida do que pelo regime)

março 30, 2006

SOLIDARIEDADE


Até ao próximo post, não faço declarações.

Estou em black and decker.

março 27, 2006

AMANHÃS QUE CANTAM



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Entre uma equipa com um treinador holandês, metade dos jogadores brasileiros e um dono luxemburguês e outra que, depois de ter vindo buscar o segundo melhor jogador português depois de Peyroteo por meia dúzia de tostões lhe atirou com uma cabeça de leitão por se ter mudado para Madrid pelo preço acordado no contrato que venha o Diabo e escolha.

Eu - que defendo o espectáculo - desejo que ambos marquem muitos golos na própria baliza que o Luisão faça uma plástica à fronha do Ronaldinho com uma das cabeçadas em que se especializou que o Moretto repita duas ou três das fífias com que tem brindado os adeptos desde que veio do Alentejo que o Simão continue amuado e finja que já não tem força nas pernas que o Messi se atire para a piscina várias vezes e o árbitro acredite sempre nele e que os No Name resolvam invadir o campo para a UEFA o interditar até que o Orelhas resolva abrir os cordões à bolsa e mande pintar as fachadas do estádio.

Ah, só não me dêem cabo do Deco que, assim como assim toda a gente acha que é português e, portanto, pode ser que nos consiga ajudar naquela coisa do caneco na Alemanha.




BURLA AGRAVADA


Emigrantes portugueses em situação ilegal expulsos do Canadá queixam-se de terem sido enganados.

Aparentemente, o Governo canadiano negou-lhes o estatuto de refugiados POR por eles requerido.

Refugiados???

HA(R)MAS


O Hamas promete à União Europeia que não utilizará as ajudas monetárias para subsidiar actos terroristas.

NB - O Hamas não promete abandonar os actos terroristas.

março 24, 2006

EU BEM SEI PORQUE NÃO FIQUEI EM CASA (A VER A RTP)

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(Homenagem singela deste planeta ao grande artista da meia-final Porto-Sporting para a Taça de Portugal - um grande bem-seja!)

março 21, 2006

BUS RIDE (II)

Ainda a temática do post de há uns dias atrás: fontes bem-informadas garantem-me que esta geometria é impossível de garantir na realidade.


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Prezando eu tanto a geometria das fontes contactadas, afirmo sob compromisso de honra: apesar da perfeição euclidiana que tão violentamente agride quem circula incautamente atrás de tão urbano veículo, neófito, serão sempre os sentimentos a sobrepor-se à estética. Sempre.

março 16, 2006

PECANINO

O Petit faz-me cada vez mais lembrar o Paulinho Santos, essa grande glória artística do ludopédio nacional. Bom a atacar, melhor a representar...

março 15, 2006

BUBBLE CUNHA

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Dias da Cunha ao Record: "Se soubesse o que sei hoje nunca tinha saído de presidente do Sporting"

Pedro Cruz Gomes ao Planeta Reboque: "Se soubesse o que sei hoje, por mim nunca tinhas ido para presidente do Sporting"