fevereiro 28, 2005

ESTEIROS


Seria possível escrever romances neo-realistas nos dias de hoje?
As povoações piscatórias de beira-Tejo envelheceram e despovoaram-se. Continuam escondidas no final de estradas-dique desérticas. Até a água escasseia neste Inverno de algumas das nossas desilusões.

fevereiro 27, 2005

PISCINA-PRAIA DE CASTELO BRANCO

(Still no swimming-pool photos...)

ECLETISMOS

"Um eclético (...) despreza os preconceitos, a tradição, a antiguidade, o consenso universal, a autoridade e qualquer outra coisa que se submeta à opinião da massa(...)"
Quem, na arquitectura portuguesa, pode (e quer) ser eclético?
O site de um expatriado voluntário.

fevereiro 26, 2005

fevereiro 25, 2005

CO-INCIDÊNCIAS

Caminharemos para uma homogeneização de culturas ou serão as culturas meras (e menores) variações do mesmo espelho sobre a condição humana?
Este post, escrito ontem no Panamá, poderia, com ligeiras correcções, ter sido escrito por um português com base na realidade nacional.
Se já Eça, com as suas Farpas nos roubou a actualidade, também a net nos retirará a localidade?

fevereiro 24, 2005

MY FAT FRIEND?

A estética Sgt. Pepper numa animação contemporânea: Your Fat Friend .
E já agora vejam o site de Momus, Click Opera de onde me veio o link

ENFIM, É OFICIAL...

Bússola Política
A sua Bússola Política
Esquerda / Direita: -2.25 Autoritarismo / Libertarianismo: -3.
69
(Na impossibilidade de transcrever o gráfico, acrescento que a linha das abcissas indica a progressão direita/esquerda/ (esquerda é o valor negativo) e a linha das ordenadas a progressão autoritarismo/libertarianismo (os valores negativos para o último). Curiosa a escolha do sentido de progressão...)

Podem testar o vosso centro de gravidade político aqui.

fevereiro 23, 2005

ARQUITECTURA ESPECTÁCULO

O tema esmoreceu rapidamente - será arquitectura arte, que arquitectura é arte... - pela exaustão disciplinar de alguns, pelas reticências de outros, pela absoluta balda de todos.
Via este link, descobri (pois é, ainda me atraso a descobrir novidades velhas) o museu de Chichu, com os edifícios (edifícios?) desenhados por Tadao Ando. Pelas fotos encontradas, não dá para avaliar muito. Mas dá para uma resposta sensorial.
E por causa dessa resposta - que foi de deslumbramento perante o conceito (desenvolver um projecto para o interior da terra, voltar a um passado primitivo de ocupação de grutas) - cheguei, por associação de ideias, a um post antigo do Lourenço, onde ele distinguia, a propósito da Casa da Música (e cito de memória porque não me apetece procurar o txto), a arquitectura de excepção (a que é extrínseca à cidade) da arquitectura quotidiana, a que constroi as ruas e os lugares banais e que, mais do que a pontual, educa a nossa percepção, cultiva o nosso gosto.
É assim, mas é a diferença que, pelo contraste, pelo choque, nos faz progredir no gosto. Pode ser que a pala da EXPO esconda um edifício inutilizável, que a Igreja de Marco de Canavezes seja mais uma construção racional sobre a fé do que um local de fé, que a Casa da Música seja um objecto alienígena numa cidade romântica, que o estádio de Braga seja mais para visitar do que para ver futebol - mas o prazer de olhar e ser provocado, estimulado, positivamente agredido por uma não-regra!
Penso que é nesta transgressão que a arquitectura ultrapassa a função para ser arte.

Ó MARIA...!

Traga-me um polícia, desses de bigode!

PÓS-ELEIÇÕES

Agora que o guerreiro-menino anuncia o afastamento...


fevereiro 21, 2005

CADERNO DE VIAGEM - NORTE ALENTEJANO (IV)


Espalhadas pelo parque imobiliário de todo o país, estas placas revelam tempos aúreos de companhias já desaparecidas, tempos onde o imobiliário era fonte garantida de renda confortável e um seguro contra possíveis vacas menos gordas do futuro. Quem herdará estes elefantes brancos no rescaldo da dissolução das companhias?

CADERNO DE VIAGEM - NORTE ALENTEJANO (III)


Portugal no seu melhor: a cultura do desenrasca.
No pátio adjacente à torre de menagem do castelo de Castelo de Vide, as escadas de acesso à mesma estão sinalizadas por este curioso exemplo de grafismo nacional. Este é o mesmo tipo de boa-vontade que leva funcionárias administrativas a prestarem-se a dar informações sobre obras que não conhecem a visitantes desprevenidos de museus portugueses e a responderem enxofradas que estão a fazer mais do que a sua obrigação quando os interlocutores lhes contestam as respostas.
Não é um bom serviço. Baixando ao nível do anedótico, prova à saciedade a imagem de "pobre" país que a maioria dos turistas já tem.

IL PAESE PIÙ POVERO DELL' EUROPA OCCIDENTALE

In Portogallo stravincono i socialisti - Gli elettori portoghesi hanno iniziato a votare alle 8 (le 9 in Italia) per eleggere i 230 deputati dell'Assemblea della Repubblica, il parlamento monocamerale del Portogallo. Il parlamento dovrà eleggere un nuovo governo, il quarto in tre anni in Portogallo, il Paese più povero dell'Europa occidentale.
No Corriere della Sera.

Socialists take power in Portugal - Portugal, one of western Europe's poorest nations, has endured a period of political instability which has also damaged prospects for an economic revival. The ballot will produce the country's fourth prime minister in three years.
Na CNN.

[Com um agradecimento ao Diário de Lisboa pelos links]

THE DAY AFTER (IV)

No PSD:

- Santana Calimero, mais uma vez.

- Santana não se demite. Não há ninguém que lhe arranje um emprego bem pago fora da política?

THE DAY AFTER (III)

No PP:

- Portas vacila quando se refere ao "partido do taxi", os olhos inflamam-se e as lágrimas estão prestes a cair - estive quase a ganhar a aposta.

- Portas demite-se. One gone, one to go.

THE DAY AFTER (II)

No PCP:

- Passada a campanha eleitoral, Jerónimo de Sousa recupera a voz. E a cassete.

THE DAY AFTER (I)

No PS:

- Mais uma coincidência: o PSD iniciava os seus comicíos ao som do "Guerreiro-menino", o PS encerrou o discurso de vitória do seu líder com a banda sonora do "Gladiador".

- O horripilante trajo de Sócrates. Castanho? Que côr tão conservadora para um discurso de mudança.

- O nome adaptado. Duas manifestantes referiram-se ao futuro primeiro-ministro como "Zé Sócras". Devem ser influências dos Batanetes...

fevereiro 20, 2005

PREVISÕES TELEVISIVAS

[Às 20:00]

RTP1 - PS - Maioria absoluta

SIC - PS - Maioria absoluta

TVI - PS - Maioria absoluta

PORQUE VOTEI EM BRANCO

"Parabéns", disse-me o presidente da mesa de voto, "ganhou o campeonato - foi o voto mais rápido até agora." Não lhe podendo explicar o porquê da rapidez, limitei-me a um "pois", dei as boas-tardes e saí.
Não lhe expliquei mas apetece-me explicar agora. Bear with me.
Pedro Santana Lopes foi o mais inábil e impreparado (política e tecnicamente) primeiro-ministro que o país conheceu desde Vasco Gonçalves. Conseguiu alienar o apoio das personalidades mais interessantes do partido. Acentuou a sua deriva para a direita. Construiu a sua entourage com base em personagens de carácter e currículo mais que contestável. Representa o que de mais baixo a política tem, quer no que respeita à sobreposição dos interesses pessoais face aos interesses da sociedade quer no que respeita à total ausência de sensibilidade em relação às aspirações, às necessidades, às expectativas dos cidadãos.
Não teria nunca o meu voto.
José Sócrates aparece como secretário-geral do PS caucionado por uma aura de eficácia e eficiência baseada não sei em que factos - na sua carreira profissional? - inexistente; na sua carreira política? - descontados os poucos anos em que assumiu a pasta do ambiente (com resultados ambíguos - veja-se a polémica do caso Freeport, veja-se a escolha e da co-incineração e a teimosa defesa que ainda hoje faz da mesma face a soluções tão eficazes quanto aquela e muito menos poluidoras) - inexistente; na sua carreira televisiva? - talvez. De onde surgiu Sócrates? Quem o acompanha? Maioritariamente, o mesmo grupo de fieis de Guterres. A vitória de Sócrets e do PS não pressupõe uma nova via para o país diferente da seguida entre 96 e 2002. Provavelmente significará mais do mesmo vivido até há 6 meses atrás: a mesma demagogia, o mesmo compadrio, o mesmo encapotado vício de distribuir jobs pelos boys and girls. Mais PS é mais bloco central. Com uma patine de preocupações sociais (menores do que antigamente já que as restrições orçamentais serão menos ultrapassáveis), mas mais do mesmo. Votar PS seria votar no mal menor (face a PSL); seria votar para expulsar o PSD do poder.
E, desta vez, não me apetece ficar com o amargo de boca que é sentir que votei na pessoa errada só para correr com uma errada pessoa.
Afastado o bloco central, o que resta?
Portas e a sua camaleónica actuação? O PP e a sua visão reaccionária, liberal e conservadora para o país?
Não, mesmo obrigado.
Louçã e o seu iluminado saber? O BE que, à medida que cresce em votos, revela a verdadeira esquizofrenia de que padece, entre a liberalidade de costumes que apregoa e o moralismo que pratica, entre as causas fracturantes que defende e os estritos limites que impõe ("não pode falar do direito à vida, dr. Portas...")?
Não, mesmo obrigado.
O PCP que, apesar do restyling estilístico do seu novo secretário-geral, continua a defender programas e sistemas de Estado completamente fora da realidade actual?
Não, mesmo obrigado.
Talvez os partidos pequenos, defensores de posições interessantes em áreas específicas (como foi em tempos o MPT) e que servem precisamente para uma tomada de posição pontual de um eleitor que não se revê nas propostas dos maiores partidos. Mas para onde foram e quem são, nas presentes eleições? Um partido maoista que acolhe um ex-dirigente de um partido monárquico? Um partido de extrema-direita com ligações proibitivas? Um partido de extrema-esquerda com as mesmas personagens que já o dirigiam em 76? Um partido alienígena que nem actualizar a música de fundo dos tempos de antena consegue e que é inexistente entre campanhas eleitorais? Um partido regional? Um partido de direita com boas intenções mas no qual o seu dirigente máximo ainda não conseguiu resolver a dôr-de-cotovelo pela derrota que sofreu no seu antigo partido?
Não mesmo.
Que fazer então?
A resposta pareceu inevitável.

fevereiro 18, 2005

A CAMPANHA CONTINUA

MILLION DOLAR QUESTION

Quantos meses serão antecipadas as próximas eleições legislativas?

TRALHA GUTERRISTA

- Que cargo será atribuído a Edite Estrela - Ministra da Cultura?
- Carrilho será candidato à Câmara de Lisboa?
- Jorge Coelho será Ministro dos Assuntos Parlamentares?
- Guterres será candidato à Presidência da República?

COSTA VICENTINA

Será que, com esta vitória do PS, avançarão finalmente os projectos turísticos para a Costa Vicentina que ficaram congelados com a saída de Sócrates do Ministério do Ambiente?

VITORINO

Que pasta irá escolher António Vitorino?

OBRAS PÚBLICAS

Quem escolherá Sócrates para ministro das Obras Públicas?

- Cravinho, o autor das SCUTS, da divisão da JAE em três (para acabar com a corrupção)?
- Jorge Coelho, o titular da pasta aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios, do túnel do Metro no Terreiro do Paço?
- Fernando Gomes?
- Ou Ana Paula Vitorino, a nova socrete para consumo televisivo?

VITÓRIA!

A noite do próximo Domingo irá ser curiosamente parecida com a do Domingo da 1ª eleição de Jorge Sampaio para a Presidência da República.
Na altura, a maioria das pessoas que festejava nas ruas rejubilava-se com a derrota de Cavaco Silva.
Agora, não tenho dúvidas de que muitos dos que serão entrevistados depois de amanhã referirão, com um sorriso de orelha a orelha, a derrota de Pedro Santana Lopes como causa de tanta alegria.

SONDAGENS

Já que hoje é o último dia para influenciar o resultado das eleições - amanhã não é permitida a publicação de sondagens - e porque não quero ser perseguido pela CNE, também aqui deixo a minha previsão para o resultado das eleições.

PARTIDOS VENCEDORES

PS - Porque é o que terá o maior número de votos e de deputados eleitos.

PSD - Porque terá uma votação superior à registada em 1975, o que indica o seu imparável crescimento a longo prazo.

PCP - Porque, apesar do seu líder não ter conseguido dizer nada (se calhar, por causa disso) ainda vai conseguir eleger deputados e porque a direita foi derrotada.

PP - Porque o povo português continuou a demonstrar a confiança que o CDS lhe merece, porque esse facto demonstra que o PP é um partido de Governo e porque o PCP não fará parte do Governo.

BE - Porque a Direita foi derrotada.

PPM - Porque conseguiu eleger dois deputados.

MPT - Porque, pela primeira vez, conseguiu eleger dois deputados.

PND - Porque os comunistas não ganharam.

POUS - Porque a Direita foi derrotada.

PARTIDOS DERROTADOS

PCTP/MRPP - Porque teve de levar com o ex-presidente do directório do PPM nas listas de candidatos a deputados.

AND THE WINNER IS...

Claramente, o grande vencedor destas eleições é Pedro Santana Lopes.

É graças a ele que o PS terá o maior resultado da sua história.

PAULA REGO


De cada vez encontro novas interrogações, descubro provocações novas. É assim o mundo, pleno de mistérios e contradições, violências e perversidades. Nada existe em branco e negro e Paula Rego relembra-o em cada obra. Não é isso a arte?

(Paula Rego, Obra Gráfica Completa, 3 volumes, edição Cavalo de Ferro para venda com a Visão ou o JL)

LUÍSA



A não perder, pela intrínseca qualidade e pelo tempo fora do tempo que as fotografias agarraram.





fevereiro 17, 2005

A VERDADE

Medina Carreira, entrevistado por Gomes Ferreira na SIC-Notícias:
"Quem fale verdade hoje em dia, daqui a 4 ou 5 anos tem o poder nas mãos (...)"
Quem? Não sabe, nem quer dizer.
Concordo em absoluto. Com a preocupação acrescida de temer que a "verdade" saia apenas da boca de um demagogo extremista.

WORLD BLOGS

Mais uma categoria acrescentada à coluna aqui do lado: blogs do resto do mundo, janelas para muitos horizontes. Disfrutem.
(Frutem)

E A CAMPANHA ESTÁ NA RUA

fevereiro 15, 2005

E JÁ AGORA, LUTZ...

"A mim não me apanharão a dizer mal da obra de Terragni, só porque este era fascista. "
Lutz, ontem, no Quase em Português

E do Albert Speer Sr? Dizes...?

(E sim, as razões do ASS são imbecilóides mas em casos como estes, em que a insanidade é muita, prefiro considerá-los provocações divertidas.)

É A CABALA

Olho para o rosto de William Shatner na página do mesmo e as palavras que me vêm à cabeça são "judeu errante" (e só aponho o "judeu" a errante por causa das Ruas da Judiaria que me fizeram descobrir a sua faceta musical e revelaram a sua - unimportant - ascendência).
Quem diria que, por detrás do Capt. Shatner Kirk que preencheu as tardes de Domingo (ou as noites de 6ªfeira, conforme as gerações) de todos os nerds disponíveis (come to think of it, de todos os disponíveis, nerds ou não) com as errâncias da sua Enterprise, going where no one has gone before, ou do fantástico The Big Giant Head do Terceiro Calhau à Volta do Sol, estaria um entertainer/músico/compositor/intérprete tão bom quanto o CD Has Been revela?

OS TRÊS FFs

Que, afinal, os jornalistas também têm memória. Aqui, no blog dos jornalistas da SIC que seguem a campanha.

AUTOPSICOGRAFIA

"Há uma esquerda fria, monolítica e inimiga da mudança". Francisco Louçã, ontem, em campanha.
"O senhor nunca teve um filho não pode falar do direito à vida". Francisco Louçã a Paulo Portas, no debate televisivo do passado dia 25 de Janeiro.

PENÚRIAS

A Escola Superior de Música tem a sua sede num edifício sem condições, cujo senhorio é a Companhia dos Caminhos de Ferro de Benguela.
E nesta frase de pouca profundidade e pouco mais que sentido informativo estão contidas várias pobrezas, a maior das quais será talvez a de vivermos num país sem tino suficiente para se regrar. Se não, vejamos:
1. A ESP tem a sua sede num edifício sem condições. Pobre país este que, desperdiçando tanto em instalações faraónicas (veja-se o que o próprio ministro das Finanças - demagogia à parte - disse sobre os gastos desnecessários em instalações para serviços do Estado aquando da abortada tentativa de venda dos imóveis estatais), não encontra meios de assegurar condições efectivas de funcionamento a uma das instituições que garantem a continuidade da cultura musical em Portugal.
2. O senhorio é a Companhia dos Caminhos de Ferros de Benguela. O senhorio nem capacidade tem para renovar a sua própria infraestrutura, quanto mais as infraestruturas dos outros! Pobre país este que não assegura - na lei e na prática - a manutenção do parque edificado, quer através dos meios de autosustentabilidade dos mesmos (rendimentos suficientes para o pagamento das despesas de manutenção e conservação) quer através da fiscalização do seu estado de conservação.
Perceberam?

PORTO - SANTINHOS

O Porto é assim: na sua extrema ânsia de cosmopolitismo, revela deliciosos (e lúgubres) anacronismos.

fevereiro 14, 2005

CADERNO DE VIAGEM - NORTE ALENTEJANO (II)

A seca invernal manifesta-se no desalentado castanho dos campos. Mas é nas albufeiras das barragens que mais se torna impressionante, pela comparação de níveis.


Se é assim em Fevereiro, como será no Verão? Interessa-se o país? Não, discute fait-divers políticos e futebol. É o nosso fado.

(E já agora: esta baia do descarregador de superfície é um objecto de betão lindíssimo: nunca tinha visto um a descoberto)

CADERNO DE VIAGEM - NORTE ALENTEJANO (I)



Apesar da seca mantêm-se, imperiais, senhoras do seu tempo, menos mutável que o medido pela nossa humana ansiedade.


fevereiro 12, 2005

(Á) RUA DA JUDIARIA



Castelo de Vide, no Domingo passado

fevereiro 11, 2005

ASSIM É

José Pacheco Pereira escreve uma bonita - e penso que sentida - homenagem a um tempo e a uma gente que, no PCP já é só memória e que, nos outros lados, nem isso chegou a ser.

fevereiro 10, 2005

HOMECOMING


Voltei. E das conversas mantidas com descohecidos que fui encontrando aqui e ali "no país real" não posso deixar de concluir que, para uma grande maioria, o voto do próximo dia 20 só será decidido nos segundos finais, quando sózinha frente ao boletim. Até lá, é a angústia de saber que qualquer das alternativas "maiores" - Sócrates ou Santana - não é do seu inteiro agrado, nem de sua completa confiança. As hipóteses são assim, ou o voto branco da descrença ou um voto branqueado, "útil", na personagem menos má.
E nesta apagada e vil tristeza se decide o destino do país.

fevereiro 05, 2005

VOU P'RÓ SUL


(Bom, tecnicamente vou para Norte mas todos sabemos que o Alentejo é no Sul, não é?)

fevereiro 04, 2005

ALTURAS

Do alto do meu castelo conquisto o mundo.

BOA RESPOSTA, BUT YOU'VE MISSED THE POINT

Lourenço, eu bem sei que te provoquei mas a frase que contestava não era a tua. Se reparares, o que me perturba é mesmo a junção das palavras "arte" e "fechar" - isto porque, para mim, se há acção que se possa atribuir à arte é precisamente a de "abrir", no seu sentido mais figurado.
No entanto se, de acordo com a tua definição, nos centrarmos no autor e não no abstracto - " (é) o modo como o homem decide encerrar o espaço" - não tenho grandes objecções a pôr.
Ou tenho?
Estava a escrever-te isto e lembrei-me do Corbusier e dos seus seguidores no que respeita à sua tentativa de contrariar esse movimento de introversão que até aí, a arquitectura sempre tentara: a casa como refúgio, a casa como barreira ao exterior, a casa como extensão misantropa do ser. De como nos seus projectos o espaço público transpõe a fronteira - e de como, muitas das vezes, essa é uma experiência que é mal acolhida pelos seus habitantes. Não será esta arquitectura também? E no entanto, literalmente, aqui o homem decide não encerrar o espaço...
Entretanto, com o João a perplexionar-se, a conversa começa a ser interessante. Ainda que, por enquanto, os argumentos tenham ficado a meio - o espaço é, evidentemente a ausência de vazio (eu ia a escrever que vazia, só a folha de papel antes do trabalho do arquitecto mas lembrei-me que mesmo esse espaço está carregado com a vivência prévia do artista) e...?

DESAFIO

A propósito do post anterior, lembrei-me de vos fazer um desafio que (caso tenha acolhimento) será uma primeira experiência de partilha deste planeta:

- Qual é, no vosso entender, a disposição de divisões num apartamento que mais se aproxima do ideal?

(É propositada a ambiguidade da pergunta)

LAR

O Daniel está encantado com a casa nova e partilha esse desvelo connosco. Encantamento duplo porque, presumo, o projecto é de sua autoria. Ainda bem.
Gosto muito de descobrir as casas dos outros, especialmente se são bem feitas. Gosto de aprender coisas novas. Gosto de me surpreender positivamente com as soluções encontradas para os problemas pequeninos que moem a cabeça de um arquitecto. E como gosto (já devem ter percebido) de reabilitações, tive muito prazer em transpôr as portas que me foram abertas.
Que a disfrutes muito, pá.

O DEBATE DE HOJE


O DEBATE DE HOJE

Presumo que concordam comigo quando digo que estamos lixados.
With a capital F.

fevereiro 01, 2005

A INTERNET DOS POBRES


MESMO ASSIM NINGUÉM NOS CALA!


É TERRÍVEL

Eu sei, é politicamente incorrecto, é entrar no joguinho português da maledicência poucochinha, mas o cartaz é tão imbeciloide que estava mesmo a pedi-las.



EU SEMPRE FUI ASSIM OS OUTROS É QUE MUDARAM


janeiro 31, 2005

DÚVIDA AINDA MAIOR

O que é que uma cataplana faz que um wok tapado não faça?



INDECISÕES

1. Portas faz passar a imagem de competência mas não consegue apagar nem o seu passado "Independente" nem as suas convicções ultra-conservadoras.
2. Santana Lopes faz passar a sua imagem de político combativo mas não consegue apagar o seu passado de completa incompetência e impreparação para o cargo de primeiro-ministro nem a sua inconstância.
3. Sócrates faz passar a sua imagem de competência mas não consegue apagar o seu passado de membro do governo Guterres nem o lastro de guterristas que transporta.
4. O BE (sejamos colectivos) faz passar a sua imagem de seriedade mas não consegue apagar do seu passado as posições conservadoras de extrema-esquerda nem a intolerância moral que lhe é tão intrínseca.
5. No PCP no pasa nada.
6. O MPT fez-se passar para o PSD a troco de 2 lugares de deputado.

E eu estou-me quase a passar.

HOW LOW CAN IT GET?

Estou, desde já, cientificamente curioso: serão os votos no PSD nas próximas eleições directamente proporcionais ao baixo nível ético da sua campanha ou inversamente proporcionais à histeria com que PSL é recebido pelas militantes em cada paragem do percurso?

janeiro 30, 2005

ARQUITECTURA

Leio algures que a arquitectura é "a arte de fechar o espaço".
Por mais cientificamente correcta que a observação possa ser, causa-me engulhos.
Misturar arte e clausura deixa-me desconfortável.
Prefiro definir arquitectura como a arte de recriar ad infinitum o ventre que acolheu os nossos primeiros momentos.

O SOL DA MINHA ALDEIA É MAIOR DO QUE...


As entradas de Lisboa são pavorosas.
Excepto quando se vem pelas pontes sobre o Tejo (chapeau para uma amiga que abomina "eufemismos de direita caduca" como estes).
Ontem, após um dia magnífico junto ao mar, uma despedida tonitroante com um Sol maior do que o habitual num poente a anunciar falsamente mais calor para o dia seguinte.

O CÉU SOBRE A COMPORTA



... ontem.

janeiro 27, 2005

CADERNO DE VIAGEM - PARIS (XI)

PONPON LACHAISE, LOCAL TURÍSTICO

Foi provavelmente o maior negócio urbanístico de todos os tempos. Comprar, por tuta e meia, um enorme terreno nos arredores de paris e depois vendê-lo em minúsculos lotes sem necessidades de grandes infra-estruturas, com uma velocíssima valorização do preço por metro quadrado não é para todos: é para quem tem ideias e as sabe pôr em prática.
O Pere Lachaise passou rapidamente de remoto local de enterramentos para glamorouso e podre de chic destino final de ricos, famosos e aspirantes a tal.

Já por inúmeras vezes declarei o meu fascínio por cemitérios. Não por especial morbidez, antes pelo que revelam da nossa complicada relação com ela e connosco próprios, com a insuportável distância entre a importância que nos damos e a que efectivamente temos no passar do tempo. Os cemitérios são os campos de batalha onde é mais encarniçada essa luta inglória contra o esquecimento que os grandes e poderosos travam no auge da vã glória do seu poder.

Depois de, há uns anos ter percorrido entusiasmado o cemitério de Montparnasse - e que me deu a conhecer inesperadamente uma das mais belas peças de Brancusi, um Beijo devotado colocado sobre uma campa russa já anónima



- tive agora o tempo para flanar pelo grande cemitério de Paris:


D'abord, a neve. Insuspeita de ter caído noutros pontos da cidade, aqui cobrindo os telhados num cartão postal alusivo à época do ano. Silêncio gelado, se esta imagem é perceptível para meridionais como nós. O gelo que estala seco sob os nossos pés. O zunido do frio nos ouvidos. Os quinhentos turistas calados que, de mapa na mão, peregrinam em busca da celebridade perdida.
Chamar-lhes-ia antes celebridades de celebridade perdida a quase todas.
Gente que, hoje, vale mais pela tumba que deixaram que pela vida que foram. Gente que se anulou com a morte para poder continuar a ser.
Deste jornalista, morto muito novo, nem sequer se pode reclamar o direito à preservação dos seus actos. Ironicamente, foram as circunstâncias da morte que o tornaram célebre - assassinado à queima-roupa por um irascível sobrinho-neto de Napoleão a quem tinha vindo pedir explicações políticas. Isso, e a fama de fertilizante que a sua estátua ganhou - veja-se o polido que as "partes baixas" apresentam, das incontáveis mãos que, ao longo de décadas, ao seu sortilégio recorreram para alcançar virtudes parideiras até aí ausentes.
Até o cendrário é uma construção cuidada. A minha filha impressionou-se com um desenho de criança preso a uma das "campas" mais recentes. "A maman de ses petits". Mamam morta nova demais, são assim as injustiças deste mundo.
"Aux armes citoyens!" parece o grito enérgico deste general sem medo que incita as massas à revolta perante a aproximação do inimigo que já ali vem. Eis uma prova de como a representação fotográfica da escultura falseia a sua tridimensionalidade e esconde muito do que nela se diz (e que poderia originar uma discussão interessante acerca da falsidade e subjectividade da representação de obras de arte, da redutora transmissão do que é uma obra arquitectónica e por aí fora - mas quem se interessaria por nela participar?)
Pois às armas, mas visto de longe, este general mais parece um quixote pateta e larilas, descendo atabalhoado um montículo de destroços. General de pacotilha, sem espada para lutar, alucinada imagem de um poder que não é. Se a arte tudo diz e se a arte não mente, quanto é verdadeiro da história oficial deste cavalheiro?
E, se para alguns, a sua história fica registada, outros há que, na modéstia da homenagem prestada, deixam mais curiosidade que explicações. Quem foi este Professor Amazit, em que guerras conquistou aquelas condecorações, que país exótico ("eternell Numidie/ C'est ici que j'ai passé/ Le meilleur de ma vie") o viu nascer e crescer? Que ligações do destino para um homem que perdeu o ano da sua morte?
De cidadão mais anónimos (pelo menos em termos internacionais) se faz também o presente:
Sinal dos tempos e da globalização, do triunfo de uma nova geração de emigrantes, da misceginação, ou apenas da minha imaginação. Ser enterrado no Pére Lachaise é, ainda, um sinal de ascensão social, a forma perfeita de se afirmar integrado. E aceite?

TRIPLO M

Comecei a ver futebol ainda puto, como a maior parte dos rapazes da minha geração (de todas as gerações?) e do meu país.
Como à maior parte dos rapazes da minha geração, a opção - para a vida - pelo clube do coração estava reduzida à escolha entre o Sporting e um outro clube da 2ª Circular cujo nome me está agora a falhar. Sendo a minha família praticamente toda sportinguista e não tendo eu ainda na altura a mania de ser do contra que ganhei com os anos diria, sem grande exagero, que estava geneticamente condicionado a sportinguista ser, ou seja, a ser maravilhosamente masoquista a maior parte da minha adolescência e começo da vida adulta.

Bom. Durante os quase 16 meses que já leva esta página recusei-me a nela alojar as alegrias e tristezas vividas semana a semana com os altos e baixos desportivos (e financeiros e sociais) do meu clube. Simplesmente porque, sendo todas as ligações a clubes paixões assolapadas, a temática não deixaria de transformar este planeta num local ainda mais incoerente (e provavelmente muito menos interessante a prazo) do que ele às vezes é.

Consegui até hoje. E hoje só abro a excepção porque há 18 anos que não ficava tão completamente louco e tão completamente rouco devido aos festejos de um golo como hoje fiquei com a obra-prima de um puto ainda em começo de carreira. Para os não iniciados é, com toda a certeza, um estado incompreensível o que vou descrever, para os que também já o vivenciaram, é partilhável: gritei, pulei, ajoelhei-me, saltei, gritei golo-golo-golo-golo, abracei-me à minha filha, pulei, ergui os braços ao alto gritei gooooooooooolo-gooooooooooolo-gooooooooolo, e só me calei para telefonar a dois fanáticos como eu para partilhar a rouquidão, o deslumbramento, o êxtase perante a corrida de um lagarto franzino que tira um adversário do caminho, faz uma rata ao segundo e ainda tem tempo para perguntar ao guarda-redes por que lado quer ver passar a bola. Um deslumbre. Um desvario. Uma coisa linda de se ver.

Perdemos o jogo nos penalties, fomos roubados por um árbitro que descortinou faltas onde elas não existiram e duplicou critérios que deveriam ser únicos, um nosso ex-jogador marcou um grande golo contra nós que, a dois minutos do fim nos estragou a festa merecida, mas aquele momento, oh aquele momento de magia foi sublime e justificou tudo, tornou-se matéria da que constroi os sonhos e as memórias.

E aqui fica a minha homenagem:
Martinho Martins Mocana - PAÍTO

que multipliques estes momentos mágicos pela tua carreira e que os cries com as riscas verdes e brancas vestidas e o leão ao peito!

[Dedicado ao JPT que, lá longe em Moçambique, se deve ter consumido tanto quanto eu durante os 120 minutos desta noite]

janeiro 26, 2005

DIÁLOGO ECONÓMICO

- O BCP anunciou hoje que Paulo Teixeira Pinto sucederá a Jardim Gonçalves na presidência do seu conselho de administraçã, a partir de Março.
- Eu sempre disse que aquele homem tinha OPUS DEI escrito all over the face...

janeiro 25, 2005

PRÉMIO ISTO É QUE É IDENTIFICAÇÃO COM OS PROBLEMAS

Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro:
"(...) o senhor Primeiro-ministro está a acompanhar pessoalmente as medidas que estão a ser desenvolvidas devido à vaga de frio polar que se anuncia (...)"

Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro, uma hora depois:
"(...) Toda a agenda do senhor Primeiro-Ministro para hoje foi cancelada devido a estar de cama engripado e com anginas (...)"

janeiro 24, 2005

FRIO... MORNO...

Dias de extremo frio, anuncia a Protecção Civil, dias que nem a postiça tensão política da pré-campanha eleitoral parece ir aquecer.

CANDIDATO SABONETE

Eu não sei quanto de propositado tem a inserção das mais recentes dogmáticas declarações de Pedro Santana Lopes num radio jornal do princípio da manhã. Sei que, juntando-as ao entorpecimento próprio da hora e do início da semana e à endémica falta de memória política dos seus concidadãos, se obtém um efeito quase perfeito na reabilitação da imagem de homem político destemido e combativo que PSL teve antes da desastrosa experiência governativa. A substância é, como usualmente, quase nula: o Presidente "deveria ter convocado (quem?) (...) a exemplo do que fez com o caso Marcelo Rebelo de Sousa (...) por causa do escândalo (onde?) de José Sócrates se recusar a ter debates comigo (recusou-se mesmo?) (...)". Tudo muito dito em foz forte, indignada, revoltosa. No bom e velho estilo dos congressos de Coliseu que tantos votos e, principalmente, atenção mediática lhe grangearam.
Porque é que o Presidente da República deveria intrometer-se no tema dos debates? Isso agora não interessa nada.
O que importa é esta transmissão de uma ideia de homem político que contraria o observado nos últimos meses. Uma perfeita campanha de marketing que não revela as características do produto, antes vende uma ideia de consumo.
Perde-se cada vez mais, obviamente, a essência política. Mas, nestes tempos alienados, será que muita gente (leia-se muitos dos eleitores do centro) sente a falta dela?

janeiro 21, 2005

CADERNO DE VIAGEM - PARIS (X)

Eu fui: senti, sofri, amei.
Os meus olhos viram o mundo, as minhas mãos sentiram, afagaram, moldaram. Seguindo o meu julgamento também eu o procurei transformar.
Julguei deixar o meu nome escrito no tempo pela força das minhas acções, dos meus descendentes, de todos aqueles com quem convivi.
De mim resta hoje apenas esta pedra entalhada onde um dia me vi repetido.
E só na beleza e perfeição que o artífice criou reside o valor que o tempo presente lhe dá. Não sou mais homem, sou unicamente o reflexo daqueles que me guardam e expõem.

ENTRE-OS-RIOS

Que a Relação insista em apurar, por via judicial, as responsabilidades pela queda da ponte de Entre-os-Rios é positivo.
Que o faça só arrolando os técnicos responsáveis pela fiscalização que, a seu tempo, escreveram relatórios denunciando o estado precário das fundações, e ignorando os responsáveis pela inoperabilidade e inorgânica das instituições que tutelavam a ponte e o rio e as próprias instituições em si, já me parece mais anedótico. E grave.

[O que esta medida irá implicar, principalmente se do julgamento sair um veredito de culpabilidade é todos os técnicos públicos deste país considerarem como em eminente colapso qualquer edificação sob sua alçada - estou a imaginar o pânico de directores-gerais e chefes de divisão ao terem de despachar os pareceres...)

QUANDO A ESMOLA É GRANDE...

Um amigo ao telefone, para me dizer que acabou de ouvir Santana Lopes em discurso directo:
-"(...) e a todos aqueles que tiveram confiança em nós em 2002 eu digo para continuarem a manter a desconfiança! (...)"
Como este meu amigo é muito do contra, eu não acreditei...

janeiro 20, 2005

PIADA FALHADA?


CADERNO DE VIAGEM - PARIS (IX)

Um dia também eu gostaria de viver num país civilizado, onde o quotidiano pudesse conter destas conversas simples, mantidas na loja do bairro, feitas da confiança da experiência e do prazer da antevisão da descoberta. Um país civilizado em que o correr do tempo pudesse conter também tempos passados, preservados. Um país civilizado onde os artificiais ritmos do presente não abafassem os ritmos da Terra, do respirar que nos é natural.