julho 20, 2005

CADERNO DE VIAGEM - TRANSEUROPA (I)

Antecessores para o que eu vou dizer houve muitos ao longo dos séculos – ricos ou letrados, estudantes ou diletantes, jovens ou em plena maturidade (quase sempre homens; às mulheres ficava reservado o “direito” de tomarem conta do lar) – e portanto, a originalidade fica arredada destas palavras. A originalidade sim, a verdade não: a civilização começa para além das nossas fronteiras, a “Europa” culta e educada, bem-pensante e bem-vivente fica muito para além do nosso horizonte português e poucochinho.

Sim, temos o bom peixe (cada vez menos) e o bom ar (cada vez mais poluído), o Sol brilhante e o tempo quente (cada vez mais e mais seco), a simpatia (cada vez mais como o tempo) mas estas não passam de justificações envergonhadas para a nossa culpa por nos sentirmos tão pouco estranhos quando somos estrangeiros, por – finalmente! – nos sentirmos bem tratados por particulares e organismos públicos (as estradas, os serviços...), por – de algum modo, nos sentirmos (não nos sentindo) em casa.

Viajar de carro pela Europa é fazer uma jornada fascinante por múltiplos passados e poder observar o modo como o olhar presente os trata: com respeito, com nacionalismo, com um interessado interesse económico. É também um curso rápido de modos de estar perante uma natureza diversa: da arquitectura popular à gastronomia, dos vinhos ao lazer.

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